Executivos participam de debate sobre cenários para o Brasil em segurança, economia e política

Ex-ministro da Segurança Pública e da Defesa, Raul Jungmann chamou a atenção para o fato de que o Brasil nunca teve um sistema federal de Segurança Pública, destacando que, até hoje, foi o primeiro e único ministro de Segurança do País a propor algo nesse sentido.
Administração
16 Abril 2019
Executivos participam de debate sobre cenários para o Brasil em segurança, economia e política

O OneMBA da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) recebeu o ex-ministro da Segurança Pública e da Defesa, Raul Jungmann, o economista Eduardo Velho, da GO Consultoria, e o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV EAESP, no evento “Desafios e Perspectivas para o Brasil”. Realizado no dia 10 de abril, o encontro focou em questões de segurança e defesa, economia e cenário político.

Raul Jungmann chamou a atenção para o fato de que o Brasil nunca teve um sistema federal de Segurança Pública, destacando que, até hoje, foi o primeiro e único ministro de Segurança do País a propor algo nesse sentido.

“Na tentativa de centralizar o combate ao crime, foi criado o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública), que buscou estruturar um sistema de inteligência para todo o território”, explicou.

O ministro destacou o fato de as políticas públicas adotadas no país a respeito do tema se restringirem ao sistema prisional e não ao combate da violência na rua.

“Apesar de termos o terceiro maior sistema prisional do mundo, só atrás da China e dos EUA, o Brasil  tem um déficit de quase 400 mil vagas e a violência não se reduz”.

Jungmann também destacou que o sistema, além de caro, ainda não consegue ser eficaz. Calcula-se que o custo de uma vaga ocupada em presídio chegue a R$ 60 mil por ano.

“Os custos econômicos da criminalidade respondem por 5,5% do PIB brasileiro. E o foco do trabalho policial são crimes de baixo impacto, que não demandam inteligência e nem investigação”.

Do ponto de vista do cenário macroeconômico, Eduardo Velho mostrou um quadro mais otimista. Apesar das dificuldades no horizonte, o economista destacou que a economia continua crescendo e a inflação, embora sujeita a algumas pressões, está sobre controle.

“A expectativa da aprovação da reforma da previdência pode dar um ânimo às contas públicas à medida em que puder contribuir com a redução das despesas obrigatórias. No cenário externo, a expectativa de fechamento do acordo comercial entre EUA e China e a economia chinesa mostrando sinais de retomada abrem boas expectativas para o Brasil”, exemplifica.

Já o cenário político apresenta maior complexidade. Segundo Fernando Abrucio, o período de lua de mel do novo governo foi eclipsado pelas idas e vindas da reforma da previdência.

“O governo começa a perceber que a realidade do país é mais complexa do que a que foi mostrada na campanha que, por sinal, foi completamente atípica”.

Para Abrucio, apesar de se eleger sobre um discurso de moralidade e de combate à corrupção e à “esquerda”, a falta de uma comunicação mais direta, a ideologização e a constante interferência dos filhos colocam o presidente em uma situação muito complexa.

“Mas, pior que isso, é a falta de interlocução forte com o Congresso. Ela é fundamental para a aprovação das reformas prometidas e para a implementação de políticas públicas de saúde e educação. Apesar de o presidente ter sido eleito em outras bases, todas as pesquisas apontam que a população em geral está mais preocupada com saúde e educação. E até agora o governo ainda não conseguiu preencher os quadros dos respectivos ministérios”, argumentou Abrucio. 

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