Fabio Gallo dá dicas de como organizar as finanças no Semana FGV

Institucional
30 Setembro 2011

Fabio Gallo é professor de Finanças na EAESP desde 1995, com ênfase em Finanças Corporativas, Avaliação de Empresas, Gestão de Controle, Controladoria de Empresas Multinacionais e Finanças Internacionais. Gallo também mantém a coluna ?Seu Dinheiro?, no jornal Estado de São Paulo, e apresenta os programas ?Seu Dinheiro com Prof. Gallo?, na TV Estadão, e ?Seu Dinheiro com Fabio Gallo?, na rádio Estadão ESPN.Em tempos de incerteza econômica e dólar em alta, o Semana FGV conversa com o professor Fabio Gallo e pede alguns conselhos para ajudar você a gerir melhor suas finanças, inclusive nas férias. Quais são as dicas para quem vai viajar agora, com o dólar e o euro em alta? Neste momento de muita volatilidade do câmbio, o mais importante para quem pretende viajar agora é organizar muito bem a sua viagem. O viajante deve preferencialmente preparar um planejamento de sua viagem com muitos detalhes, organizando a agenda dia-a-dia e programando quanto deve gastar em cada dia. Ao mesmo tempo deverá preparar de maneira muito consistente o seu orçamento familiar para saber exatamente quanto poderá gastar na viagem.O viajante, estando organizado na sua agenda, poderá explorar oportunidades para economizar com transporte, comprar passes de parques, museus, entre outros pontos turísticos. Há oportunidades de compras de passes para grupos de museus, por exemplo, que saem muito mais barato do que comprar na hora um a um. Por outro lado, a grande pergunta do momento é se o dólar vai subir ou cair. A resposta a esta pergunta vale US$ 1 milhão. Nós não sabemos ainda qual será o novo patamar da moeda estrangeira, mas sabemos que é mais alto do que o anterior, assim a viagem sairá mais cara. Nesse ambiente o melhor é comprar moeda estrangeira aos poucos. Os cartões de débito são boas opções em virtude da segurança e taxas mais baixas que outras opções. Mas não deixe de levar um pouco de moeda para os dois ou três primeiros dias. Leve também o seu cartão de crédito por segurança, mas lembre-se que além do IOF bastante alto, a taxa de câmbio é aquela do dia de vencimento da fatura e neste caso o viajante já estará de volta e com um monte de contas a pagar se não souber controlar-se.  É hora de comprar ou de guardar?  Em momentos de instabilidade financeira o mais indicado é poupar. Na hora do consumo sempre nos devemos fazer a seguinte pergunta: Eu quero ou preciso disto? Se a resposta for ?eu preciso? não há o que fazer, temos que gastar, estando ou não no nosso orçamento. Desde que a necessidade seja realmente justificável, como caso de emergências médicas. Não vale o milésimo par de sapatos como uma necessidade. Quando a reposta for ?eu quero isto?, a realização do gasto vai depender de haver possibilidade orçamentária ou não. No caso de viagens lembrem-se sempre de se fazer essa pergunta, e muito cuidado com o raciocínio de que as coisas estão baratas em relação aos preços no Brasil e, portanto vale a pena comprar. Isto pode até ser verdade, mas toda a economia vai por água abaixo caso na volta você tenha que usar do cheque especial.  E qual é a melhor forma de economizar?  A maneira mais eficiente de economizar é manter o orçamento familiar bem organizado. Quanto mais bem preparado for o seu orçamento mais facilmente você poderá localizar pontos de economia, obviamente além de não gerar multas por atrasos de pagamentos ou utilização de cheque especial. Outra questão muito importante é sobre qual o melhor tipo de investimento para cada um de nós. Na decisão do investimento a ser realizado deve ser inicialmente considerado o seu perfil como investidor. Cada pessoa tem um perfil em relação ao risco. A personalidade da pessoa, a idade, suas experiências de vida etc., fazem com que cada um tenha o seu próprio grau de aversão ao risco, que representa o quanto a pessoa se ressente com perdas no seu investimento. No entanto, outras considerações a serem feitas são relativas aos riscos face ao seu objetivo com aquele investimento. Em outras palavras, você deverá levar em conta dois aspectos muito importantes:? O tempo disponível para a realização do objetivo alvo desse investimento;? A utilidade marginal de seu dinheiro, ou seja, a importância deste dinheiro em relação ao seu orçamento.Naturalmente, uma pessoa com mais idade e com patrimônio pessoal mais elevado não está, em geral, disposta a correr riscos altos. De maneira diferente, um jovem solteiro que possua uma quantia substancial de dinheiro no banco e que não tenha utilidade para esses recursos no curto prazo pode atrever-se a correr riscos bem mais altos.