Falta de planejamento e regulação deteriorada ameaçam ampliação da infraestrutura brasileira

Institucional
21 Julho 2011

Os especialistas reunidos no seminário ?Oportunidades e Desafios da Infraestrutura no Brasil?, realizado no IBRE/FGV no último dia 18, demonstraram-se pessimistas quanto à possibilidade de o Brasil sanar os atuais gargalos do setor evitando outros futuros. ?Hoje não temos planejamento adequado. Estão fazendo obras aos trancos e barrancos, sem sentido de prioridade?, afirmou Claudio R. Frischtak, presidente da Inter. B Consultoria Internacional de Negócios. ?Ouvi de um responsável direto no plano federal pelos jogos (Copa do Mundo e Olimpíadas) a seguinte afirmação: veremos os estádios; mobilidade? No último caso, dá férias coletivas, isso se resolve na cidade. Ou seja, admitindo que estaríamos repetindo a experiência da Grécia?, afirmou, referindo-se às Olimpíadas de Atenas, em 2004, marcada por atrasos em obras e explosões orçamentárias. ?Outro caso emblemático de desperdício é o de Atlanta, nos EUA; e se isso acontece, nós é que teremos que pagar?, avalia Frischtak. No evento, Frischtak explicou que há um deterioramento na qualidade da regulação, o que dificulta a atração de capital privado para os projetos. ?Nos últimos anos, houve uma confusão conceitual: se achava que as agências estavam fazendo política pública, e isso elas não fazem. Isso gerou uma ambiguidade, e uma das reações foi querer cortar-lhe as asas?, afirmou, criticando ainda as indicações políticas para cargos nessas instituições. O economista destacou o baixo nível de investimento em infraestrutura em relação ao PIB ? uma média de 2,6% entre 2008 e 2010, contra cerca de 13,4% da China no ano passado, e 4,8% da Índia, na média entre 2009 e 2010 ? indicando a necessidade de mitigar incertezas regulatórias para envolver o setor privado no processo. Já Helcio Tokeshi, diretor da Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP), destacou que a decisão de obras de infraestrutura ? atrelada ao financiamento de campanha política ? é outro fator que joga contra o planejamento correto de obras. ?Uma vez eleito o candidato que foi financiado de forma significativa por esses interessados, se não houver um estudo pronto, ele se depara com o seguinte dilema: se tentar fazer de forma correta, verificando a demanda, fazendo a modelagem, quando chegar ao final de três anos e meio ele se dará conta de que tem o estudo e só se for reeleito conseguirá implementá-lo?, afirmou. ?Assim, entre ter e não ter, e é do interesse público tê-la, o político pode ser pragmático e resolva contratar daquele jeito. E essa é a nossa dificuldade: como criar um ambiente em que tenhamos agentes públicos e espaço para planejar?, disse Tokeshi. ?Por isso, teremos que achar uma forma mais inteligente e transparente de financiamento de campanha?, analisa. Tokeshi, da EBP ? espécie de parceria público-privada entre oito bancos e o BNDES para incentivar mais PPPs no país ?, fez um balanço exclusivo à Conjuntura Econômica de julho sobre o avanço das parcerias públicos privadas no Brasil. A íntegra da entrevista pode ser conferida na próxima edição da revista ou através do site www.conjunturaeconomica.com.br nesta semana.

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