FGV debate relações entre Brasil e África em universidade chinesa

O interesse chinês no assunto é saber até que ponto as disputas pelas oportunidades no continente africano colocariam China e Brasil em rota de colisão.
Institucional
29 Abril 2014

No dia 23 de abril, o professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro (FGV DIREITO RIO) Evandro Menezes de Carvalho esteve no Institute of African Studies da Universidade de Zhejiang, na China, para discutir as relações entre Brasil e África e traçar um panorama da política externa brasileira para o continente.Segundo o professor, no passado o Brasil percebia a África como competidora no mercado de commodities e das ajudas internacionais ao desenvolvimento ? o que agora se modificou. ?Esta percepção muda na segunda metade do século XX e o Brasil passa a ver a África como um continente de oportunidades. Contudo, apesar da mudança de percepção, a política externa brasileira para a África continuou seletiva e baseada em iniciativas específicas. Somente na primeira década do século XXI, com o governo Lula, é que o Brasil expande sua ação no continente africano, assume uma postura mais pragmática, horizontal e de compartilhamento de interesses e valores comuns que ultrapassa a dimensão do comércio?, explicou Evandro.Ainda de acordo com ele, o interesse chinês no assunto é saber até que ponto as disputas pelas oportunidades no continente africano colocariam China e Brasil em rota de colisão. Evandro afirma, porém, que as diplomacias dos dois países sabem isolar as divergências na área comercial a fim de que não contaminem a relação estratégica que chineses e brasileiros estabeleceram em questões relativas à reforma das instituições internacionais.Evandro também ressaltou que hoje o Brasil apoia o desenvolvimento de infraestrutura, investimentos produtivos, agricultura familiar, além de transferir tecnologia para fabricação de medicamentos ? sobretudo antirretrovirais ? e compartilhar experiências de apoio a pequenas e médias empresas na África.?O Brasil abre mais de 35 embaixadas na África, sendo este um sinal importante da mudança de orientação do Itamaraty para o continente. O interesse brasileiro não é só econômico, mas político. Afinal, muitas das decisões da ONU dependem, em larga medida, dos votos africanos?, frisou Evandro.OAS-China Scholarship ProgramEvandro Menezes de Carvalho foi um dos dez candidatos escolhidos para o OAS-China Scholarship Program ? parceria entre o governo chinês e a Organização dos Estados Americanos (OEA) que envolve as Américas do Sul, Central e do Norte.Ele participa do programa por um ano e meio, período em que também ministra aulas na Shanghai University of Finance and Economics (SUFE).