Fintechs socioambientais se consolidam como campo de inovação com impacto no Brasil
Estudo aponta que setor amplia inclusão financeira, impulsiona sustentabilidade e enfrenta desafios de regulação e escala

O Brasil figura entre os 15 maiores ecossistemas de fintechs do mundo, concentrando mais da metade das startups financeiras da América Latina e atraindo mais de US$ 10 bilhões em investimentos entre 2014 e 2024, segundo o Fintech Report. Nesse cenário, cresce um segmento ainda pouco explorado, mas de relevância crescente: as fintechs socioambientais.
A primeira etapa do estudo “Reconfiguração Sociotécnica Equitativa nas Fintechs Socioambientais”, desenvolvido na FGV EAESP com financiamento do CNPq, analisou dez iniciativas nacionais alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco em inclusão financeira, energias renováveis e redução das desigualdades. A pesquisa é coordenada pela professora Érica Siqueira, em parceria com Simone Luvizan, do FGVcemif, e Hélida Norato, da Universidade Federal de Ouro Preto.
Segundo Érica, as fintechs socioambientais “ampliam a capilaridade do sistema financeiro, alcançando públicos historicamente excluídos e funcionando também como instrumentos de transição energética”. O estudo identificou quatro eixos centrais de impacto: acesso, adequação, escala adequada e transformação social.
O levantamento ainda mapeou fases de evolução do setor: de 2009 a 2016, o foco foi a inclusão financeira básica; entre 2017 e 2018, emergiram bancos digitais e soluções sustentáveis; de 2019 a 2021, ganharam força as finanças verdes; e, para o futuro, a tendência é a integração de serviços com maior ênfase no desenvolvimento sustentável.
Em fevereiro de 2025, um workshop realizado na FGV EAESP reuniu especialistas e fundadores de fintechs para validar o modelo analítico da pesquisa e discutir desafios. Um ponto comum foi a necessidade de conciliar crescimento acelerado com a preservação da missão socioambiental.
Entre os caminhos apontados para fortalecer o ecossistema estão políticas regulatórias sensíveis ao impacto socioambiental, métricas que combinem ODS e indicadores de desenvolvimento local, mecanismos de financiamento compatíveis com a missão das empresas e o estímulo a incubadoras, redes de colaboração e parcerias público-privadas.
Com base na abordagem Design Science Research (DSR), o estudo reforça que transformações sociais sustentáveis exigem a participação ativa das comunidades beneficiadas na construção das soluções. Os resultados já oferecem subsídios ao debate público e à formulação de políticas voltadas a um futuro mais inclusivo e sustentável.
Leia também