Indicador aponta mercado de crédito mais restrito

Essa foi a maior queda mensal da série histórica, fazendo com que o indicador atingisse 56,8 pontos, o menor valor desde junho de 2016 (55,3 pontos) e apenas 3,1 pontos acima do mínimo da série em abril de 2016 (53,7 pontos)
Economia
26 Maio 2020
Indicador aponta mercado de crédito mais restrito

Desde que a crise sanitária começou a impactar a economia brasileira, o governo federal anunciou algumas medidas econômicas para mitigar os efeitos dessa crise, parte das quais para estimular o crédito, principalmente para financiamento da folha de pagamentos e capital de giro. Apesar do esforço e da Taxa Selic a 3%, segundo pesquisa realizada entre empresários, o dinheiro não está chegando na ponta.

O Indicador de Facilidade de Acesso ao Crédito das Sondagens Empresariais – (Comércio, Construção, Indústria de Transformação e Serviços) –, calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), registrou perda de 31,8 pontos entre março e abril. Essa foi a maior queda mensal da série histórica, fazendo com que o indicador atingisse 56,8 pontos, o menor valor desde junho de 2016 (55,3 pontos) e apenas 3,1 pontos acima do mínimo da série em abril de 2016 (53,7 pontos). Para se ter uma ideia do tombo, entre 2014 e 2015 o indicador levou 10 meses para perder 34,6 pontos, perda um pouco menor do que a dos últimos quatro meses (35,2).

Indicador de Crédito
(padronizado e com ajuste sazonal)

O resultado minou a recuperação após a última recessão (2014-2016). Segundo Renata de Mello Franco, economista do FGV IBRE responsável pelo levantamento, entre o vale da crise e o pico recente, o indicador havia acumulado alta de 41,6 pontos, alcançando 95,3 pontos, maior valor desde julho de 2014 (98,2 pontos). Essa aproximação do indicador ao nível da normalidade (100) deveu-se em grande medida à redução considerável da parcela de empresas que reportavam dificuldade para obter crédito.

“Quando olhamos o comportamento recente do indicador, vemos que havia tendência de recuperação desde abril de 2016, quando o país estava passando pelo final da crise iniciada em 2014. Isso significa que, conforme a economia se recuperava, o mercado de crédito ficava menos restrito às empresas, principalmente do setor da Indústria de Transformação. Contudo, em fevereiro – antes de atingirmos níveis pré-crise e antes da pandemia afetar diretamente o país – houve reversão dessa melhora: mais empresas começaram a relatar dificuldade de acesso ao crédito, enquanto menos empresas indicaram facilidade”, avaliou Renata.

A prévia de maio das sondagens empresariais mostra leve alta do índice. Porém, o crescimento de 3,3 pontos, para 60,1 pontos, não é suficiente para indicar maior facilidade de acesso ao crédito. A parcela de empesas afirmando que o acesso ao crédito está difícil passou de 35,1% em abril para 33,5% nesse período. Já a parcela de empresas afirmando que está fácil variou de 9,8% para 10,1%.

“A leve alta observada na prévia de maio não sugere melhora ao acesso ao crédito pelas empresas até a segunda semana do mês. A queda de apenas 1,6 pontos percentuais da proporção de empresas reportando dificuldade não resultou em aumento da parcela de empresas indicando facilidade. Por esse motivo, a melhora do indicador pode ser entendida apenas como uma acomodação”, pontuou.

Indicadores de Crédito das Sondagens – em pontos
(padronizados e com ajuste sazonal)

Ao analisar os setores separadamente, verifica-se que nem todos foram afetados da mesma forma. A Indústria de Transformação, por exemplo, mostra a maior variação entre o pico, em janeiro, e maio (-35,9 pontos), apesar do fato de que o setor era o que estava retornando mais rapidamente ao nível pré-crise.

Indicadores de Crédito das Sondagens - médias móveis trimestrais

A pesquisa considera também a frequência das respostas positivas e negativas em relação ao mercado de crédito. Construção e indústria são os setores com mais empresas indicando dificuldade de acesso ao crédito. Em relação às parcelas de empresários reportando facilidade, construção e comércio registraram, nos últimos dois meses, valores menores do que o mínimo observado na crise de 2014-2016. O levantamento considerou dados da prévia das sondagens de maio de 2020, quando 2528 empresas foram consultadas, entre 01 e 13 de maio.

O estudo completo está disponível no site.