Inovação é fundamental para o crescimento sustentável, apontam especialistas em debate na FGV

“Neste século, 65% dos ganhos da economia brasileira vieram do aumento da força de trabalho, e apenas 35% do aumento do valor adicionado por trabalhador, o que significa que nossa produtividade está praticamente estagnada”, afirmou a CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Deborah Vieitas
Administração
15 Junho 2018
Inovação é fundamental para o crescimento sustentável, apontam especialistas em debate na FGV

Além de pressionar por reformas estruturais (como previdenciária, tributária e trabalhista), as empresas brasileiras precisam buscar maior eficiência operacional, comercial e financeira se quiserem um ambiente de negócios mais seguro e produtivo. A afirmação é da CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Deborah Vieitas, que participou do debate “Papel das Empresas e Visão Empreendedora”, oferecido pelo OneMBA da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), considerado o melhor MBA executivo da América Latina pelo Financial Times.

“Neste século, 65% dos ganhos da economia brasileira vieram do aumento da força de trabalho, e apenas 35% do aumento do valor adicionado por trabalhador, o que significa que nossa produtividade está praticamente estagnada”, afirmou a executiva, que também é ex-aluna da instituição. “Diante da transição demográfica que o Brasil vai começar a passar na próxima década, a única maneira de crescermos de forma sustentável será se aumentarmos a produtividade do trabalho, mas o desafio não é apenas tecnológico”.

Segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG) para a Amcham, as empresas mais bem-sucedidas da América Latina buscam a excelência no relacionamento com clientes e colaboradores e investem em inovação e em pessoas, por meio de programas de recrutamento, treinamento contínuo e retenção. Isso permite a elas atingir reduções de até 20% nos níveis de estoque e 30% na eficiência da força de vendas.

Além destes aspectos, Luciano Araújo, responsável no Brasil pelo MIT BootCamps (uma iniciativa da prestigiada instituição americana para capacitar empreendedores em todo o mundo) destacou que tanto empreendedores fora das grandes empresas quanto os “intra-empreendedores” (funcionários que desenvolvem novas iniciativas dentro de organizações já estabelecidas) podem se beneficiar da tecnologia para tirar o foco somente dos processos e se concentrar nas soluções que seus produtos podem oferecer para os problemas dos clientes.

“A utilização de novas linguagens e ferramentas proporciona não apenas ganhos financeiros, mas também uma mudança de mentalidade que contribui para a maior eficiência do ambiente econômico como um todo”.

Para Jorge Carneiro, coordenador do OneMBA, é fundamental que os cursos de pós-graduação incorporem a mentalidade empreendedora nas diversas áreas de suas organizações.

“Nossas turmas são compostas por gestores experientes de cerca de 20 nacionalidades diferentes, que trazem perspectivas complementares e inovadoras em função de sua diversidade em termos de formação acadêmica e experiência em diferentes indústrias e áreas funcionais. Tudo isso estimula a flexibilidade mental ao mesmo tempo que serve como uma provocação para cada aluno pensar ´fora da caixa´, uma vez que, ao desenvolver projetos em global teams, eles acabam se defrontando com diferentes perspectivas que podem servir como motores para inovação em seus mercados”. O debate faz parte de uma séria de eventos que o OneMBA está promovendo para discutir os desafios e perspectivas do Brasil na próxima década.