Inteligência artificial e estratégia em foco no Fórum do Conhecimento 2025
Evento reuniu executivos, pesquisadores e alunos para debater como a IA está transformando a tomada de decisão nas organizações

A FGV EAESP realizou mais uma edição do Fórum do Conhecimento, disciplina central do Mestrado Profissional em Administração (MPA) e espaço de articulação entre conhecimento acadêmico e prática organizacional. Em 2025, o encontro teve como tema “IA & Estratégia: dominando a tomada de decisões na era digital”, dando sequência a uma trajetória que já abordou Futuro do Trabalho, Agenda ESG e Inovação Estratégica em anos anteriores.
Coordenado pelo professor Paul Ferreira, o Fórum reforçou o conceito de gestor-cientista, perfil que orienta o MPA e combina rigor analítico, uso de evidências, métodos e tecnologia para gerar impacto real nas organizações. Nesta edição, a disciplina contou com uma parceria inédita com a Resorts Brasil, que apresentou um desafio real envolvendo clientes, processos e supply chain. Os alunos desenvolveram soluções baseadas em inteligência artificial e concorreram a uma experiência em resorts da rede no país.
Ao longo de dois dias, executivos, pesquisadores e líderes de inovação compartilharam visões complementares sobre o papel da IA na tomada de decisão, na eficiência operacional, na criatividade e na experiência do consumidor. Na abertura, Carlos Azevedo, expert associate partner de AI & Data Science na Bain & Company, destacou como modelos mais potentes, multimodais e acessíveis estão transformando a lógica do consumo digital, com avanços do comércio conversacional e da personalização em escala. Em seguida, o professor Eduardo Francisco Rezende ressaltou que organizações competitivas são aquelas capazes de transformar dados em vantagem estratégica por meio de fundamentos sólidos e experimentação contínua.
O debate avançou para os riscos e limites do uso acrítico da tecnologia. O professor Gilberto Sarfati apresentou reflexões de seu livro Superdecisão e alertou para a intensificação da preguiça cognitiva em ambientes altamente automatizados. Marcelo Suzuki, executivo global de negócios na Siemens, reforçou que operar ferramentas não é suficiente sem clareza do problema estratégico, lembrando que a ilusão da certeza pode amplificar riscos quando a IA é utilizada no piloto automático.
A relação entre tecnologia, criatividade e comportamento do consumidor também esteve no centro das discussões. Isabella Milano, egressa do MPA e product marketing manager no Google, apresentou sua pesquisa sobre criatividade em ambientes mediados por IA e o papel do treinamento das equipes. Claudia Carneiro, search product lead Brazil do Google, abordou a evolução da busca, hoje mais inteligente, multimodal e contextual, com impactos diretos nas jornadas de compra. Na saúde, Alex Julian, CIO do Hospital Sírio-Libanês, apresentou aplicações que vão de prontuários preditivos a agendas inteligentes. Cíntia Barcelos, CTO do Bradesco, destacou a importância de dados integrados, ética e governança para que a IA gere impacto efetivo, além de apresentar a evolução da assistente virtual BIA. Cristina Cestari, CIO da Volkswagen, mostrou como a tecnologia captura conhecimento tácito e cria vantagem competitiva em empresas tradicionais, enquanto Fernando Vitti, fundador e CEO da Nexforce, encerrou o dia ao apresentar o Revenue Operations como resposta à ineficiência estrutural das organizações.
Para os alunos, o formato aplicado foi um dos pontos altos do MPA. Segundo um dos participantes, ver diferentes visões empresariais e trabalhar em um desafio real tornou o aprendizado mais concreto e engajador. O Fórum do Conhecimento 2025 reafirmou o papel do programa como espaço de experimentação e construção coletiva, preparando gestores-cientistas para liderar, questionar e decidir em um contexto cada vez mais orientado pela inteligência artificial.
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