Liberação do FGTS deve animar Comércio, mas não Serviços, revela estudo do FGV IBRE

Brasileiros querem usar dinheiro extra para o consumo e, principalmente entre o extrato de renda mais baixa, pagar dívidas
Economia
04 Outubro 2019
Liberação do FGTS deve animar Comércio, mas não Serviços, revela estudo do FGV IBRE

Os empresários do comércio, sobretudo dos setores de móveis e eletrodomésticos e hiper e supermercados, estão animados com a injeção extra de dinheiro na economia, a partir da liberação do FGTS e do pagamento do PIS/PASEP.  É o que aponta pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O estudo, coordenado pelos economistas Viviane Seda e Rodolpho Tobler, analisou ainda a expectativa do setor de serviços e de consumidores.

Segundo o levantamento, 45,5% das empresas do comércio esperam aumento no volume de vendas – percentual superior aos 12,6% do setor de serviços. Em relação à magnitude do impacto, é consenso entre os empresários que a demanda não aumentará consideravelmente: para mais da metade, o impulso será moderado.

“Entre os empresários do setor de serviços o ânimo é menor, apesar dos segmentos de manutenção e reparação, turismo e serviços prestados às famílias terem se destacado. Mesmo com a decisão do governo de liberar um valor mais baixo do que o inicialmente era esperado (R$ 500 por conta no FGTS), os consumidores poderão utilizar o recurso extra para consumir algo que não estava no planejamento ou para antecipar algum tipo de consumo, como uma viagem, alimentação fora de casa etc.”, analisou Tobler.

Já a venda de móveis e eletrodomésticos pode ganhar impulso. O economista acredita que “o segmento se beneficia das vendas a prazo, dado que a concessão de crédito para pessoa física tem mostrado resultados positivos nos últimos meses”.

Decisão dos consumidores explica entusiasmo do comércio

Entre os consumidores, 52,3% dos que têm direito aos recursos devem sacar o dinheiro. A principal destinação será para o pagamento de dívidas (36,3%), seguida pelo consumo (32,3%) e aplicação em poupança (27,2%). Em 2017, em estudo semelhante do FGV IBRE, 27,8% dos entrevistados informaram que usariam a renda extra para consumir. De acordo com o pesquisador, o cenário atual ajudou a ampliar o percentual.

“Em 2019, as condições financeiras das famílias parecem melhores (ou menos piores) que em 2017. Isso contribui para o aumento da parcela de brasileiros indicando consumo. Outro ponto que pode ter contribuído é o limite do saque em até R$ 500 reais por conta, diminuindo a proporção dos que estão dispostos a poupar”, explicou.

Famílias de renda mais baixa pretendem pagar dívidas

Mas o estudo mostra que para a maioria (71,9%) das famílias de baixa renda – que ganham até R$ 2.100 – o destino do dinheiro é um só: quitar as dívidas. “Apesar da melhor condição financeira em 2019, em relação a 2017, o orçamento das famílias, principalmente de rendas mais baixas, continua comprometido. Nesse caso, a prioridade é pagar dívidas. Mas isso acaba abrindo espaço no orçamento para novos tipos de consumo, mesmo que em um segundo momento”.

A pesquisa completa está disponível no site.