Marcelo Neri fala sobre avanços brasileiros após 125 anos da abolição da escravatura

Institucional
14 Maio 2013

?Há 125 anos a escravidão foi abolida no Brasil, mas apenas nos últimos dez anos os verdadeiros avanços têm acontecido contra o preconceito e a discriminação?. É o que afirma o professor da FGV/EPGE ? Escola Brasileira de Economia e Finanças, fundador do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ministro-chefe interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da presidência da República, Marcelo Neri, em entrevista exclusiva à FGV Notícias.  Neri apresentou ontem, dia 13 de maio, dados relativos à mobilidade socioeconômica dos negros no Brasil em evento da Faculdade Zumbi dos Palmares que comemorou os 125 anos da Abolição da Escravidão no país. Estudos divulgados pela SAE mostram que, já no ano de 2011, 51% da classe média brasileira era composta por pretos e pardos ? 20% a mais que em 2001. ?Este é um avanço muito significativo. Ainda mais se levarmos em consideração que 75% da população que ascendeu à Nova Classe Média é negra, ou seja: são 30 milhões de pessoas. Isto equivale a um pouco menos que a totalidade população negra da África do Sul?, destaca.  Orgulho Os dados revelam que a participação de negros na população brasileira no período de 2000 até 2010 subiu de 44,6% para 50,9%. De acordo com Marcelo Neri, os efeitos da renda não são os únicos que explicam tal fenômeno. ?Desde a virada do século, mais pessoas estão se declarando negras. Principalmente aquelas com maior nível de educação e as mais jovens, que estão na idade de frequentar bancos escolares e universitários. É o que podemos chamar ´efeito de orgulho racial´?. Neri também chama atenção para o fato de que programas como o Bolsa Família, por exemplo, contêm uma ação afirmativa implícita, que incentiva as pessoas a se declararem pretas ou pardas para receber o benefício.  Um retrato menos desigual Segundo o economista, os estudos apontam a redução da desigualdade. ?Para termos uma ideia, justamente no ano do chamado ?PIBinho?, 2012,  a renda domiciliar per capta do negro brasileiro cresceu 8,5%, contra 5,1% da renda daqueles que não se declaram pretos ou pardos?, conta, acrescentando que o processo é contínuo e se aplica também a esferas como a do empreendedorismo. ?O lucro auferido por empreendedores negros ainda é menor do que o dos brancos, mas cresceu 10% entre 2003 e 2013?.  Neri lembra ainda o aumento na renda de grupos de trabalhadores como empreendedores de subsistência, empregadas domésticas, operários da construção civil e agricultores braçais. ?O Brasil foi o último país do mundo ocidental a abolir a escravatura, mas as mudanças reais estão acontecendo. É um retrato ainda cheio de cicatrizes sociais, mas está bem melhor do que era há dez anos?, conclui. 

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