Ministros brasileiros analisam estratégias de desenvolvimento produtivo na EESP

Participaram do evento Roberto Mangabeira Unger, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Dilma, Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da EESP e ex-ministro da Fazenda, e Antonio Delfim Netto, também ex-ministro da Fazenda.
Institucional
31 Agosto 2015

Para além da crise atual, o Brasil precisa pensar em uma estratégia que permita aliar desenvolvimento e crescimento econômico com aumento de produtividade e levar o país a outro patamar, por meio de uma transformação no sistema educacional, que privilegie a inovação e o empreendedorismo.A frase acima apresenta todas as premissas que orientaram as falas de Roberto Mangabeira Unger, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Dilma, Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Escola de Economia de São Paulo (EESP) e ex-ministro da Fazenda, e Antonio Delfim Netto, também ex-ministro da Fazenda, com mediação de Yoshiaki Nakano, diretor da EESP, em evento que ocorreu na FGV, no dia 26 de agosto.Mangabeira Unger estruturou sua exposição em seis teses que avaliaram as circunstâncias atuais, as mudanças necessárias para que haja uma reorientação radical da política econômica e, por fim, os paradigmas firmados para a formação de um projeto nacional.As mais contundentes referiam-se ao aproveitamento do que Mangabeira Unger chamou de ?vanguarda emergente?, que seria a reunião de uma burguesia empreendedora, que vem de baixo, estuda à noite, tem iniciativa e vontade de vencer, e um contingente de trabalhadores pobres que também trabalham com afinco para melhorar suas condições.Essa ?vanguarda emergente?, porém, precisaria passar por um processo educacional que privilegie a inovação e o empreendedorismo. ?O sistema de educação brasileiro atual prepara um cidadão francês do século XIX, não uma pessoa preparada para os desafios brasileiros do século XXI?, criticou o ministro.Outra questão apontada está relacionada à necessidade de ajuste fiscal, assunto que está na pauta do dia nas negociações da equipe econômica com o Congresso. Para o ministro, o ajuste fiscal precisa ir além da mera conquista da confiança do investidor e atração de investimentos, em geral por meio de política de ´contração-expansionista´ oferecida como moeda de troca.Segundo Mangabeira, ?o verdadeiro propósito de um ajuste fiscal é assegurar que o país não dependa da confiança do investidor, mas que tenha margem de manobra para lidar com crises. O projeto de desenvolvimento deve ser simultâneo ao ajuste fiscal?. Além disso, ele afirmou ainda que esse projeto não pode ser utilizado para compensar o processo de desvalorização cambial. ?É preciso ter uma política de câmbio que nos dê liberdade para importar altas tecnologias e permitir que haja desenvolvimento de uma indústria inovadora?, completou.Ao assumir a palavra, Bresser-Pereira ratificou a importância de se criar um projeto estruturado de desenvolvimento produtivo, porém apontou dois grandes desafios para recuperar a ideia de nação: a criação de uma poupança institucional e a reflexão a respeito de novos arranjos institucionais. ?Quando eu olho o Brasil, tenho a impressão de que nossa opção pelo consumo está relacionada ao fato de que não estamos dispostos a fazer nenhum sacrifício. Para isso, recorremos a Keynes para justificar que a poupança vem depois do investimento, porém nos esquecemos que isso refere-se ao longo prazo. No curto prazo, é preciso ter uma poupança pública produtiva?, disse ele.Já Delfim Netto, em sua fala, lembrou que a falta de incentivos para a poupança nacional é histórica. ?Desde João VI, passamos por várias crises e o resultado não é tão ruim. Somos a sétima economia do mundo, com crescimento médio anual de 6,5% nos últimos 50 anos, se bem que acompanhado de um aumento de desigualdade e com crescimento da dívida interna. Até 2013, isso não era um problema. Passamos a destruir este capital em 2014: esgotaram os recursos públicos para conquistar as eleições?.Delfim também concorda que é preciso repensar um novo modelo de desenvolvimento econômico, voltado para construção de uma sociedade civilizada. ?Uma sociedade econômica que nos permita gozar da igualdade que, no fundo, está preconizada pela Constituição de 1988?, concluiu o ex-ministro.?