Números da economia brasileira e cenário internacional apontam para retomada

Os economistas do IBRE apresentaram seus diagnósticos para os indicadores econômicos e fizeram projeções para o curto e o médio prazos no Terceiro Seminário de Análise Conjuntural do IBRE.
Economia
15 Setembro 2017
Números da economia brasileira e cenário internacional apontam para retomada

A forte queda da inflação, os juros baixos e o bom momento da economia mundial foram os aspectos positivos mais citados pelos pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE) ao comentarem a melhora do cenário interno. Os economistas do IBRE apresentaram seus diagnósticos para os indicadores econômicos e fizeram projeções para o curto e o médio prazos no Terceiro Seminário de Análise Conjuntural do IBRE, realizado em 11 de setembro, no Rio de Janeiro.

Armando Castelar, coordenador da área de Economia Aplicada do IBRE, fez uma breve abertura, destacando a expectativa para a possível retomada da economia. “O momento do nosso encontro é muito feliz, pois vivemos um instante de grande otimismo. Acho que é uma boa hora para avaliarmos a solidez desse otimismo”, considerou o economista.

A análise de Castelar foi reforçada pela apresentação seguinte, do economista José Julio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários. Senna destacou a queda da inflação no país, que saiu de um patamar de mais de 10% em dezembro de 2015 para a possibilidade real de fechar 2017 em 3% ou abaixo desse nível. Para o especialista, o Banco Central atuou com firmeza e teve ação fundamental no resultado da inflação, trazendo ganho de liquidez para a economia. O pesquisador apontou ainda a queda da taxa Selic e o crescimento mundial pulverizado como importantes para a melhora do cenário.

Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas, falou na sequência sobre a evolução dos indicadores de confiança, apontando um quadro mais favorável. O destaque foi a melhora do Indicador de Situação Atual (ISA), apontando, segundo ele, para certa solidez na retomada do crescimento. O setor da Indústria foi o que apresentou índice de confiança mais elevado. Já os consumidores ainda demostram cautela em relação à economia.

O superintendente adjunto de Índices Gerais de Preços, Salomão Quadros, por sua vez, explicou o que levou a inflação a um patamar tão baixo. Para o economista, é inegável que os alimentos contribuíram enormemente, mas destacou a inflação de serviços e os preços dos aluguéis como demais responsáveis também pelo bom desempenho do indicador. Quadros projetou uma inflação de 3,3% para 2017.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro, também comemorou indicadores positivos como inflação e juros baixos, além do crescimento de 0,2% do PIB no 2º trimestre, em relação ao primeiro. Para Silvia, o que colaborou com essa melhora foi a recuperação do poder de compra das famílias e, consequentemente, do consumo. A economista destacou a melhora da produção industrial, o desempenho do agronegócio – que deve sair de -6,6% em 2016 para 12,9% este ano –, e a recuperação do mercado de trabalho. Mas ponderou que o desemprego ainda é elevado e que a produção e o investimento ainda estão em níveis baixos, levando a uma projeção conservadora de crescimento do PIB de 0,7%, para este ano, e de 2,2%, em 2018.

Para Samuel Pessôa, pesquisador associado, que fez comentários após as apresentações, o cenário atual é mais claro. Pessôa reiterou a importância da atuação do Banco Central e destacou dualidades na conjuntura do país devido, em sua visão, aos diferentes desempenhos do cenário doméstico e da economia mundial. Já Bráulio Borges, também pesquisador associado, mostrou preocupação com uma possível retração da economia da China no ano que vem, que pode impactar negativamente na economia brasileira. O economista apontou que o BC deveria perseguir a inflação perto do centro da meta, pois um índice maior (não tão baixo) poderia elevar o desempenho do PIB em 2 pontos percentuais.

Professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV (EESP), Marcelo Kfoury, comentou sobre câmbio e juros, e avaliou que em termos cíclicos a situação começou a melhorar, com folga cambial. Para ele os juros terão que subir no futuro pois, em suas projeções, com Selic a 6,5% a inflação pode ficar acima do centro da meta.

Encerrando o encontro, Castelar analisou o cenário positivo, reforçando indicadores como inflação, juros e PIB, excetuando o desempenho do mercado de trabalho, bem diferentes do cenário de três meses atrás, do encontro anterior.