Palestra sobre fusões e aquisições reúne empreendedores no Google Campus, em São Paulo

Antonio  André elencou alguns cuidados durante o processo de negociação. Entre eles, ele destacou a averiguação criteriosa de quem investe ou compra; a contratação de um advogado especializado, a clara definição do percentual de capital exigido pelo investidor, a forma de pagamento ou integralização, como será feita a integração da nova empresa e a continuação dos valores do negócio.
Administração
20 Fevereiro 2018
Palestra sobre fusões e aquisições reúne empreendedores no Google Campus, em São Paulo

O ano era 1982 e Antonio André Neto participou do primeiro processo de venda de uma empresa, após a morte do dono. Era a mesma onde ele havia iniciado a sua carreira como estagiário e alcançado o posto de diretor. O motivo da venda era um problema familiar: A filha herdeira se recusava a correr o risco de ter que partilhar a herança com a amante do pai. Antonio André tentou convencer a filha a não vender a empresa, porém, ela foi incisiva: “Ou você vende a empresa ou está demitido”.  Essa foi a primeira experiência de Antonio André na condução do processo de venda de uma empresa. Hoje ele coordena o curso de Negócios Digitais do FGV Educação Executiva e ministrou, no Google Campus de São Paulo, a palestra “O Processo de Fusões e Aquisições: Passo a Passo”, no dia 6 de fevereiro. O evento, bastante concorrido, foi direcionado a profissionais em processo de formação de novas startups que buscam investimentos e, por isso, precisam saber como o processo de atrair investidores acontece.

Passados mais de 35 anos, e 30 negócios de aquisições em oito países, Antonio André se especializou na arte de buscar as melhores condições para a formação e posterior venda de negócios inovadores e lucrativos. E sempre incentiva seus alunos a buscar novos nichos.  Atualmente, dou aula a 1.600 alunos e peço que todos pensem em projetos inovadores em nível mundial”, explica. 

No curso de Negócios Digitais, o aluno é o protagonista de sua atuação: são quatro módulos em quatro meses, nos quais os alunos vão trabalhar em diversos workshops e se dedicarão a desenvolver projetos, nas áreas Web, Mobile, Internet das Coisas e de Dispositivos Usáveis. Em cada módulo, os participantes postam a ideia de um novo negócio e todos votam para escolher as melhores ideias. A primeira etapa é o recrutamento de talentos dentro da própria turma, pelos donos das ideias escolhidas.

“Durante seis workshops de cada módulo, os projetos serão construídos com base em metodologias ágeis. É um processo muito intenso e colaborativo que se completa com a apresentação e defesa de cada projeto com seus protótipos, funcionalidades, custos e fluxos de caixa definidos. Os dois projetos de cada área de negócio considerados mais viáveis vão concorrer em uma final, onde serão avaliados por uma banca, com gestores de incubadoras, aceleradoras e potenciais investidores”, explica o coordenador. 

Antonio André enfatiza que todo o conteúdo do curso pode ser acessado por smartphones e os participantes atuam na construção dos seus projetos o tempo todo, em qualquer lugar. A sala de aula é onde se encontram para discutir e estabelecer metas. O curso é voltado para formar executivos de negócios digitais e não tecnólogos, mas para orientar os alunos a considerar a tecnologia como parte do negócio e avaliar os seus impactos. Além desse aspecto, também são discutidos a estruturação do negócio, cadeia de suprimentos, logística, marketing, experiência do usuário e também os aspectos financeiros de cada novo empreendimento. Um conselho fundamental dado pelo professor aos ouvintes é não se preocupar em principio com o investidor.

“O importante para o sucesso de um negócio é o trabalho concentrado para construir um protótipo que possa ser testado na vida real. O investidor é um passo mais adiantado no processo. Às vezes buscar e conseguir um investidor para um projeto ainda não maduro mais atrapalha que ajuda, porque ele poderá cobrar o atingimento de resultados de um negócio ainda em construção, e que tem que passar por ajustes”, destaca. 

Para o professor, o processo de investimento e aquisição é sempre único. Tudo pode depender dos atores e das condições existentes. Mas alguns fatores precisam ser considerados. Entre eles, a alavancagem: “Alguns modelos de negócios precisam ter escala e gerar recursos rapidamente, com crescimento exponencial” explicou à plateia. 

Antonio  André também explicou durante sua exposição as formas de investimento e aquisição de uma companhia e também elencou alguns cuidados durante o processo de negociação. Entre eles, ele destacou a averiguação criteriosa de quem investe ou compra; a contratação de um advogado especializado, a clara definição do percentual de capital exigido pelo investidor, a forma de pagamento ou integralização, como será feita a integração da nova empresa e a continuação dos valores do negócio.

Para mais informações sobre o curso, acesse o site.