Pesquisa da FGV DIREITO SP aponta nível de satisfação dos policiais brasileiros

As forças de segurança pública no Brasil precisam passar por um processo de reorganização para se tornarem mais eficientes. É o que afirmam os próprios agentes, de acordo com a pesquisa ?Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública? ? realizada pela Escola de Direito de São Paulo (FGV DIREITO SP), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).Entre os mais de 21 mil entrevistados, 73,7% apoiam a desvinculação ao Exército, 93,7% querem a modernização dos regimentos e códigos disciplinares de acordo com a Constituição Federal de 1988 e 63,6% defendem o fim da justiça militar. ?Se considerarmos apenas os policiais militares, 76,1% defendem o fim do vínculo com o Exército ? o que é um sinal claro de que o Brasil precisa avançar na agenda da desmilitarização e reforma das forças de segurança?, afirma o pesquisador do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da DIREITO SP e vice-presidente do Conselho de Administração do FBSP, Renato Sérgio de Lima.O levantamento aponta, entretanto, que não é apenas a organização das polícias que precisa ser reestruturada. Baixos salários (99,1%), formação e treinamento deficientes (98,2%), contingente policial insuficiente (97,3%), falta de verba para equipamentos e armas (97,3%), leis penais inadequadas (94,9%) e mesmo corrupção (93,6%) são alguns dos principais obstáculos para a realização de um trabalho mais eficiente. Segundo 86% dos respondentes, falta foco em resultado e sobra burocracia. Os dados refletem ainda uma ligeira insatisfação com a carreira. 34,4% dos policiais afirmam que pretendem sair da corporação assim que houver uma oportunidade profissional e 38,7% afirmam que se pudessem voltar no tempo teriam escolhido outra carreira. Nesse resultado pesa, também, o fato de 65,9% dos respondentes já terem sido discriminados por ser policial ou agente do sistema de segurança e 59,6% já terem sido humilhados ou desrespeitados por superiores hierárquicos.Ainda na questão comportamental, apesar de 83,7% dos entrevistados acreditarem que um policial que mata um suspeito deve ser investigado e julgado pela justiça, 43,3% afirmam que este mesmo policial deve ser inocentado. Já para 43,2% dos respondentes, um policial que mata um criminoso deve ser premiado pela corporação. Nos dois casos, 77% creem que policiais envolvidos em ocorrência com resultado de morte devem ser afastados da escala normal de trabalho para sua preservação.A pesquisa ouviu agentes de segurança pública de todo o país entre 30 de junho e 18 de julho de 2014. Entre eles, 52,9% integram a Polícia Militar, 22% a Polícia Civil, 10,4% a Polícia Federal, 8,4% o Corpo de Bombeiros, 4,1% a Polícia Rodoviária Federal e 2,3% a Polícia Cientifica/Perícia.Clique aqui e confira o levantamento completo.Foto: Fabio Fersa / Shutterstock.com
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