Pesquisa da FGV/CPDOC traça perfil das torcidas organizadas de RJ e SP
Um levantamento inédito feito pela Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV/CPDOC) traçou o perfil das torcidas organizadas dos principais times de futebol do Rio e de São Paulo.

O dia 20 de agosto de 1995 entrou para história do futebol brasileiro devido à ?batalha campal? praticada pelas torcidas no fim da partida disputada entre os times juniores de São Paulo e Palmeiras, no Pacaembu. Hoje, após exatos 20 anos do episódio, a violência praticada nos estádios volta a ser tema de discussão entre autoridades do esporte e setores especializados de área.
Um levantamento inédito feito pela Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV/CPDOC) traçou o perfil das torcidas organizadas dos principais times de futebol do Rio e de São Paulo. O projeto, coordenado pelo professor Bernardo Borges Buarque de Hollanda, entrevistou 1.038 torcedores de 10 clubes de ambos os estados e avaliou questões como percepção de violência, rivalidade entre os clubes e até mesmo a aceitação das novas arenas.
De acordo com a pesquisa, os torcedores organizados são, em geral, homens (91% no RJ e 86% em SP), solteiros (77% e 72%),de até 40 anos (93% e 94%), com ensino médio completo (58% e 62%) e moram nas capitais (64% e 67%). Um dado interessante é que 60% dos paulistanos entrevistados afirmaram que pagam mensalidade ou anuidade à torcida organizada, mas somente 38% disse ser filiado ao clube.
Entre os principais temas pesquisados com os torcedores de Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Portuguesa e Juventus, estava a violência. Para 59% dos paulistas entrevistados, as torcidas organizadas a qual fazem parte é violenta. Já no Rio, o percentual cai para 38%. Outro dado é que mais da metade dos entrevistados (57%) concorda que a torcida organizada deve cobrar resultados do time com maior rigidez.
A pesquisa avaliou ainda o impacto das novas arenas (Maracanã, Itaquerão e Allianz Parque) na dinâmica das torcidas. 54% dos torcedores ouvidos em São Paulo mostraram-se satisfeitos com os novos estádios, enquanto 67% dos cariocas aprovam o novo Maracanã. Apesar da avaliação positiva, os entrevistados indicaram que a modernização das arenas é um fator prejudicial para a festa das torcidas.
A pesquisa foi apresentada ao público durante o seminário ?20 anos da ?batalha campal? do Pacaembu: um balanço da violência nos estádios do Brasil (1995-2015)?, realizado no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 8 de agosto. Confira mais informações sobre a pesquisa, no site da FGV/ CPDOC.
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