Pesquisa indica contraste de doações entre classes sociais no Brasil

O levantamento foi elaborado de 2017 a maio deste ano, tendo como base territorial o Rio de Janeiro, que apresenta um ambiente socioeconômico altamente desigual. Foram ouvidos moradores do complexo da Maré e da Zona Sul do Rio de Janeiro.  
Administração
22 Julho 2021
Pesquisa indica contraste de doações entre classes sociais no Brasil

Pessoas com alto poder aquisitivo doam menos para causas básicas (combate à fome e à falta de abrigo) enquanto os mais pobres preferem contribuir para essas causas mais urgentes.  É o que indica a pesquisa da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE) da Fundação Getulio Vargas, “Classe Social e Alocação de Doações no Brasil”. O estudo foi elaborado pelo pesquisador e doutor pela FGV EBAPE, Yan Vieites, em parceria com os professores da FGV EBAPE, Eduardo Andrade e Rafael Goldszmidt. 

Premiado em sua versão inicial na conferência Society for Consumer Psychology, realizada em 2020 na Califórnia, o levantamento foi elaborado de 2017 a maio deste ano, tendo como base territorial o Rio de Janeiro, que apresenta um ambiente socioeconômico altamente desigual. Foram ouvidos moradores do complexo da Maré e da Zona Sul do Rio de Janeiro.  

Um dos estudos funcionou da seguinte forma: potenciais doadores, ao realizar a doação, deveriam decidir como alocar seus recursos entre diferentes causas sociais. Os participantes receberam cinco notas de R$ 2, totalizando R$ 10. No momento em que recebiam o  valor, as pessoas eram informadas de que poderiam ficar com o dinheiro ou doá-lo para causas de combate à fome (alimentos) ou para iniciativas culturais. Ao todo, 60% dos pesquisados fizeram alguma doação, cujo valor médio foi de R$ 4,96. 

Entre os participantes do Compelxo da Maré, 86% fizeram alguma doação, com valor médio de R$ 5,57, sendo R$ 3,74 para alimentos e R$ 1,83 para ações culturais. Na Zona Sul, 43% dos participantes fizeram algum tipo de doação. O valor médio das doações foi de R$ 4,30, sendo R$ 1,28 para alimentos e R$ 3,02 para iniciativas culturais. 

Nesse contexto, o trabalho da FGV EBAPE avaliou como a relativa “urgência” das causas para a sobrevivência humana molda as preferências de alocação de recursos das pessoas de classes sociais superiores e inferiores. A pesquisa indicou que, quando confrontada com duas opções de doações, uma direcionada a uma causa básica (alimentação ou abrigo) e outra a uma causa menos urgente (cultura ou esportes) as pessoas de classe baixa preferem doar para causas urgentes. Já as pessoas da classe alta tendem a contribuir para necessidades menos urgentes. 

A pesquisa “Classe Social e Alocação de Doações no Brasil” pode ser encontrada na versão em inglês no site. 

 

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