Pesquisadora do IBRE avalia comércio Mercosul-China

Institucional
29 Junho 2012

Durante videoconferência ocorrida no último dia 25, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, anunciou a ?aliança estratégia global? entre três países que compõem o Mercosul ? Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo Jiabao, esse acordo pode levar ao estabelecimento de uma zona de livre comércio entre os países envolvidos. A presidente Dilma Rousseff concorda e avalia a parceria como estratégica para ?construir um relacionamento produtivo com a China?. No entanto, analistas se perguntam o que o Brasil tem a ganhar ao incentivar ainda mais a entrada de produtos chineses no país, fato que enfraquece o mercado interno.  Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada do IBRE e especialista em comércio exterior, lembra que essa estratégia de relacionamento com o país asiático já era anunciada no governo Lula. ?Se falava em ?parceria estratégica?. São termos vagos, mas sinaliza que o Brasil pretende descobrir um caminho para que a relação com a China traga benefícios para a economia, seja na forma de novos investimentos e/ou ganhos de exportações brasileiras?.  Hoje, a China já ocupa lugares de outros países na lista dos maiores importadores do Brasil e é o principal parceiro comercial do governo brasileiro. Segundo ela, não é o volume das importações dos produtos chineses que estão diminuindo a competitividade daqui, e sim, fatores que pressionam a produtividade da indústria. ?É claro que o debate sobre a ?concorrência desleal da China pelo manejo de seu câmbio e possíveis práticas de dumping? existe. No entanto, não se pode atribuir todo o aumento das importações oriundas da China a essas duas questões. O problema está na oferta brasileira pouco competitiva, por fatores que dificultam o aumento da produtividade da indústria brasileira?, analisa Lia. Vale lembrar que as exportações brasileiras para a China somaram US$ 44,3 bilhões, enquanto as importações de produtos chineses alcançaram US$ 32,8 bilhões. Sobre a abertura dos mercados do Mercosul com a China, a pesquisadora acredita ser difícil um acordo de livre comércio com o país. ?Seria uma reviravolta na orientação da política comercial brasileira recente que tem privilegiado a utilização de algumas medidas protecionistas como defesa do setor industrial?. Ela acrescenta que alguns setores, como têxtil, vestuário, eletroeletrônicos e automotivo deverão pedir prazos longos para a redução da tarifa comercial.  Paraguai ? Os países que compõem o Mercosul rejeitaram a participação do novo presidente paraguaio, Federico Franco ? substituto de Fernando Lugo no cargo após o processo de impeachment ?, por ser considerado ilegítimo pelos governos do Brasil, Argentina e Uruguai. Coincidentemente, o Paraguai é o único do bloco que reconhece o Taiwan como representante da China, e não Pequim, como os chineses determinam. Assim, sem a concordância de seus membros, o Mercosul não poderia negociar com o governo asiático. Na opinião de Lia, o reconhecimento de Pequim como o único e legítimo é prioridade na agenda do país. ?Se houver um genuíno interesse da Argentina, Brasil e Uruguai para assinar o acordo, irão pressionar o Paraguai?, finaliza.  

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