Pioram as avaliações das expectativas no mundo, na América Latina e no Brasil, diz estudo
Economia
10 Agosto 2018

Pioram as avaliações das expectativas no mundo, na América Latina e no Brasil, diz estudo

No Brasil, o ICE passou de -11,4 pontos para -45,9 pontos, com perspectivas positivas, contudo menos favoráveis, ao recuar de 47,8 pontos para 12,0 pontos. Há também uma menor satisfação com relação a situação atual que atingiu -88,0 pontos, significando que um percentual elevado dos especialistas considera a situação desfavorável.

Após registrar um resultado positivo em janeiro de 2018, o indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV — voltou para a zona desfavorável, desde abril de 2018. A trajetória de piora do ICE foi confirmada pela última Sondagem que mostrou o recuo de -5,2 pontos para -21,1 pontos entre abril e julho. A satisfação com a situação atual (ISA) se manteve em queda e o índice de expectativas (IE), que vinha positivo desde julho de 2016, caiu para 24,7 pontos, em abril, e atingiu zero ponto, em julho, ao igualar a participação de avaliações positivas e negativas.

No mundo, o ICE, embora ainda seja positivo, caiu de 16,5 pontos para 2,9 pontos. Os dois indicadores que compõem o ICE recuaram, mas enquanto a avaliação da situação atual permaneceu positiva o índice de expectativas ficou negativo, sendo o mais baixo desde outubro de 2011. A piora nos indicadores englobou quase todas as regiões e países.

Observa-se que entre os BRICS apenas a Índia registrou avaliação favorável, embora o ICE tenha caído 28,5 pontos. A Rússia foi o único entre os países selecionados que melhorou o ICE, embora se mantenha na zona desfavorável. O Brasil registrou o pior ICE, nível muito próximo ao da África do Sul.

Os resultados do ICE para os países selecionados da América Latina levam a identificação de dois grupos. O primeiro composto por países que registraram melhora no clima econômico: Bolívia, Colômbia, Peru e México. Destaque para Bolívia que passou de uma avaliação negativa para positiva entre abril e julho liderada pela passagem de uma zona desfavorável para favorável das expectativas, enquanto o ISA saiu de uma zona neutra para positiva influenciado pelo aumento no preço do gás natural e minerais. Colômbia e Peru melhoram suas posições e o México recuou o valor negativo do seu ICE.

O segundo grupo é composto pelos que pioraram a avaliação do ICE. Argentina e Uruguai passam de um resultado positivo para negativo. No caso da Argentina, o indicador passou de 10,7 pontos para -51,3 pontos. As dificuldades enfrentadas pelo governo para resolver a questão fiscal, controlar a inflação e o déficit externo num cenário com viés recessivo explica a avaliação. Chile e Paraguai pioram a avaliação do clima econômico, mas permanecem na zona favorável. Equador e Brasil pioraram a avaliação, mas já estavam no mês de abril na zona desfavorável.

No Brasil, o ICE passou de -11,4 pontos para -45,9 pontos, com perspectivas positivas, contudo menos favoráveis, ao recuar de 47,8 pontos para 12,0 pontos. Há também uma menor satisfação com relação a situação atual que atingiu -88,0 pontos, significando que um percentual elevado dos especialistas considera a situação desfavorável. Ao mesmo tempo, a proximidade de uma eleição presidencial ainda indefinida e a revisão para baixo nas projeções do crescimento PIB influenciam a piora nas expectativas.

O ICE do mundo e das principais economias registram um momento de expectativas desfavoráveis. Do ponto de vista global, o receio do escalonamento de uma guerra comercial está na agenda. Na América Latina, o cenário internacional influencia. No entanto, são as condições econômicas domésticas e, em especial num ano de eleições presidenciais em vários países da região, que explicam os resultados de cada país.

O estudo completo está disponível no site.