Política industrial não é suficiente para conter preços altos, afirma Canêdo

Institucional
12 Abril 2012

O governo federal anunciou na semana passada novo pacote de incentivos para a indústria nacional no âmbito Plano Brasil Maior ? política industrial lançada no fim de 2011 que incentiva a indústria brasileira com isenção de impostos, compras públicas de insumos fabricados no país, etc. Mas a dúvida é se essas medidas serão benéficas, no sentido de aumentar a competitividade em um médio ou longo prazo da indústria nacional. Para Mauricio Canêdo, pesquisador do Centro de Economia Aplicada do IBRE, não. ?Há um trade off. Quando se faz uma política de fomento à indústria local nesses moldes, o lado bom é que estamos criando empregos, mas o lado ruim é que os produtos ficam mais caros, já que com a obrigatoriedade de um percentual mínimo de conteúdo nacional, os fabricantes se aproveitam, e sobem os preços. Isso realmente ocorre, senão essa política seria inócua?, diz.
 

O problema apontado pelo economista acontece especialmente no mercado de eletrônicos brasileiro, no qual produtos como celulares, tablets, desktops e notebooks pesam mais no bolso do consumidor daqui do que na maioria dos países. ?Falando como consumidor, não temos muita opção. O preço do tablet no Brasil, por exemplo, é proibitivo por ser um produto relativamente novo no mercado nacional e que por isso, não tem tanta massa compradora. Já o valor dos notes vem caindo bastante. Apesar disso, a compra de produtos no mercado interno acaba compensando devido à oferta de serviços como garantias e manutenção. Quando compramos no exterior e trazemos para cá, a incidência de imposto para passar pela alfândega é grande?, ressalta Anderson Figueiredo, gerente de pesquisa da consultoria IDC.
 

Cânedo é mais incisivo ao abordar o assunto: ?O preço do eletrônico no país é maior do que no exterior por causa dos impostos. O que se gera com isso? Uma indústria que não atende aos consumidores e que é incapaz de competir no mercado internacional. O Brasil não exporta, com exceção do celular, computadores, tablets, etc. Então, quem ganha? Apenas os fabricantes desses produtos e quem trabalha com eles?, resume. E acrescenta: ?O ideal é adotarmos uma política industrial de estímulo que tivesse alguma métrica de sucesso e fracasso, e principalmente, com data para terminar. A partir daí, o produtor local andaria com suas próprias pernas?.
 

Esse site usa cookies

Nosso website coleta informações do seu dispositivo e da sua navegação e utiliza tecnologias como cookies para armazená-las e permitir funcionalidades como: melhorar o funcionamento técnico das páginas, mensurar a audiência do website e oferecer produtos e serviços relevantes por meio de anúncios personalizados. Para mais informações, acesse o nosso Aviso de Cookies e o nosso Aviso de Privacidade.