Presença de Mulheres na Diplomacia Brasileira é tema de debate em São Paulo

Atualmente, 366 mulheres integram o quadro de diplomatas do Itamaraty, composto de 1.576 servidores (23% do total). Entre as turmas de 1953 e 2015 do Instituto Rio Branco (IRBr), 427 mulheres ingressaram na carreira diplomática, correspondendo a 20,1% do total de ingressos.
Relações Internacionais
03 Maio 2019
Presença de Mulheres na Diplomacia Brasileira é tema de debate em São Paulo

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), em 2019, 366 mulheres integram o quadro de diplomatas do Itamaraty, composto de 1.576 servidores (23% do total). Entre as turmas de 1953 e 2015 do Instituto Rio Branco (IRBr), 427 mulheres ingressaram na carreira diplomática, correspondendo a 20,1% do total de ingressos. Para discutir a questão de Gênero e a Carreira Diplomática no Brasil, a Escola de Relações Internacionais da FGV (FGV RI) realiza a exibição do filme “Exteriores: Mulheres Brasileiras na Diplomacia”, com posterior debate que contará com a participação da Embaixadora Irene Vida Gala. O evento ocorrerá no dia 6 de maio, às 14h, na FGV, em São Paulo (Rua Itapeva, 432 - sala 908. Bela Vista, São Paulo/SP).

Em 1918, Maria José de Castro Rabello foi a primeira mulher a se inscrever no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática no Brasil. Em um primeiro momento, ela foi impedida de prestar a prova, entretanto, após recurso, realizou o concurso e se tornou a primeira mulher a ingressar na Carreira Diplomática e a primeira servidora pública do país, sendo aprovada em 1º lugar no Concurso de Admissão.

Após isso, a presença de mulheres na diplomacia brasileira sofreu uma série de descontinuidades: se até 1918 não existiam servidoras públicas nem mulheres na diplomacia, em 1938, com a unificação consular e diplomática, a entrada de novas servidoras passou a ser expressamente proibida. Em 1954, a política discriminatória foi abandonada, mas os entraves jurídicos que dificultavam a entrada de mulheres na carreira diplomática foram progressivamente abandonados ao longo da segunda metade do século XX. Atualmente, o Itamaraty busca promover a equidade de gênero na instituição e participa da discussão e de eventos internacionais sobre o tema.

Irene Vida Gala é Embaixadora e possui 34 anos de carreira diplomática. No Itamaraty, foi chefe da Divisão de África Meridional, em Brasília. No exterior, prestou serviço nas Embaixadas do Brasil em Lisboa (Portugal), Luanda (Angola) e Pretória (África do Sul), serviu o Consulado Geral do Brasil em Roma (Itália), participou da Missão do Brasil na ONU e foi Embaixadora do Brasil em Acra (Gana), entre 2011 e 2016. Atualmente, está lotada no escritório do Ministério das Relações Exteriores (ERESP), em São Paulo. Mestre em Relações Internacionais pela UnB e aprovada, com louvor, no Concurso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco (CAE IRBr).