Professor da FGV vence o Prêmio Jabuti 2025 na categoria Educação
Obra de Adilson José Moreira, professor da FGV Direito SP, conquista o primeiro lugar ao propor uma reflexão sobre o papel do letramento racial no fortalecimento da cidadania e da democracia no país

O professor da FGV Direito SP, Adilson José Moreira, é o vencedor do Prêmio Jabuti 2025, o mais importante reconhecimento literário do Brasil, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Sua obra Letramento racial: uma proposta de reconstrução da democracia brasileira, publicada pela Editora Contracorrente, conquistou o primeiro lugar na categoria Educação.
O livro, escrito durante o período em que atuou como professor visitante na Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, propõe o letramento racial como um processo essencial para o aprimoramento da democracia brasileira. A obra discute como essa forma de “gramática social” pode revelar mecanismos culturais e institucionais que sustentam desigualdades raciais, além de indicar caminhos para a construção de uma solidariedade cívica mais ampla.
“Democracia pressupõe, entre outras coisas, o tratamento igualitário entre todos os indivíduos, o que implica o reconhecimento da igualdade moral entre todos eles. O racismo impede o avanço do senso de solidariedade cívica, motivo pelo qual proponho que o processo de letramento racial deve ter início nas escolas por meio do ensino de princípios políticos e jurídicos básicos desde a educação básica. Da mesma forma que contamos histórias imaginárias para crianças, nós podemos contar histórias capazes de desenvolver o sentimento de tratamento recíproco, de solidariedade, de igualdade, de respeito, de dignidade, de direitos”, diz o professor."
Adilson José Moreira é doutor pelas universidades de Berkeley, Harvard e UFMG, com pós-doutorado em Berkeley. É autor de obras de referência como Racismo Recreativo, Tratado de Direito Antidiscriminatório e Pensando Como Um Negro: Ensaio de Hermenêutica Jurídica, este último finalista do Prêmio Jabuti em 2020. Suas pesquisas abrangem Direito constitucional, Direito antidiscriminatório, sociologia jurídica, história do Direito, direitos humanos e psicologia jurídica.
O reconhecimento reforça a relevância do debate sobre diversidade e inclusão na educação e reafirma o papel da reflexão acadêmica como instrumento de transformação social.
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