Professor da EBAPE lança livro: De Dutra a Lula: A Condução e os Determinantes da Política Externa Brasileira

Institucional
01 Novembro 2011

O professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE/FGV), Octavio Amorim lançou o livro De Dutra a Lula: A Condução e os Determinantes da Política Externa Brasileira da Editora Campus.Andrés Malamud, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, faz sua análise do livro: No Brasil, em contraste com os Estados Unidos ou a Argentina, a ciência política e as relações internacionais têm-se desenvolvido por trilhos separados. Enquanto a primeira adotou um enfoque mormente nomotético, procurando regularidades nos fenômenos observáveis, a segunda preferiu um enfoque ideográfico, na busca de iluminar as particularidades. Assim, a ciência política brasileira evoluiu a partir da sociologia e tornou-se mais teórica e comparativa, enquanto as relações internacionais mantiveram uma forte vinculação com a história e preferiram a periodização à teorização. Este livro, além da sua riqueza substantiva, tem o mérito de sentar as duas disciplinas à mesma mesa e pô-las a dialogar. Octavio Amorim Neto compreende a ação estatal como produto da combinação de variáveis sistêmicas, cognitivas e domésticas, o que o coloca ao lado de autores como William Wohlforth, Fareed Zakaria e Bruce Bueno de Mesquita. A maior descoberta da pesquisa é a importância dos fatores sistêmicos na modelação da política externa brasileira entre o final da Segunda Guerra Mundial e a atualidade. Porém, o seu maior contributo está na comparação do peso desses fatores com os fatores domésticos, sejam estes institucionais, burocráticos ou ideológicos. Só um conhecimento profundo do sistema político brasileiro, ligado a uma intensa paixão pela história diplomática do seu país e ao comando ímpar de técnicas quantitativas de pesquisa, podia produzir um estudo com a originalidade deste. Este livro, quiçá como nenhum outro, poderá encontrar uma calorosa acolhida tanto entre cientistas políticos como entre internacionalistas, entre políticos assim como diplomáticos. Certamente, não é a última palavra: será aliás a primeira, que poderá induzir uma proveitosa aproximação entre subdisciplinas de uma mesma comunidade acadêmica e entre setores temporariamente afastados de uma mesma família.