Projeto ASL Xingu é lançado com foco em conservação, inclusão social e desenvolvimento sustentável
Com investimento de cerca de R$ 45 milhões e quatro anos de duração (2026 a 2030), o projeto atuará em mais de 4,3 milhões de hectares de florestas, rios e territórios tradicionais e rurais

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) lançaram, durante a COP30, o Projeto ASL Xingu: Integrando florestas, povos e águas – conservação socioambiental e desenvolvimento sustentável no Xingu. O evento, realizado no Pavilhão Pará, na Zona Verde, marcou o início da terceira fase do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil).
Com investimento de cerca de R$ 45 milhões e previsão de quatro anos de execução (2026 a 2030), a iniciativa atuará em dez municípios e treze áreas do Baixo e Médio Xingu, no Pará, fortalecendo a conservação da biodiversidade, a governança territorial, a sociobioeconomia e a integração entre políticas públicas federais, estaduais e municipais. Ao todo, o projeto abrangerá mais de 4,3 milhões de hectares de florestas, rios e territórios tradicionais e rurais.
Durante o evento, também foi celebrada a assinatura do Acordo de Doação do Projeto ASL Xingu entre a FGV e o Banco Mundial — um marco essencial para viabilizar a execução desta nova fase do ASL Brasil. O Acordo formaliza a parceria, detalhando o escopo das atividades, as responsabilidades institucionais, as regras de desembolso e os padrões ambientais, sociais e fiduciários que orientarão toda a implementação.
Marcus Mendes, gerente de Projeto, Monitoramento e Avaliação do ASL pela FGV, destacou que “o instrumento consolida o papel da FGV como agência executora e garante o início do projeto, possibilitando a assinatura dos acordos de cooperação com as Unidades Operativas e a etapa de planejamento das ações previstas no território”.
Representando o MMA, o chefe de gabinete e secretário substituto da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO), e supervisor do ASL Brasil, Carlos Eduardo Marinelli, afirmou que o ASL Xingu nasce para fortalecer instituições locais e ampliar a participação cidadã nas políticas municipais. “O ASL Xingu nasce para fortalecer quem vive e cuida do território, integrando políticas e saberes para construir uma herança duradoura. Queremos construir, junto com as pessoas, processos que permaneçam no território”, disse.
O coordenador de Desenvolvimento Rural Sustentável e Incentivos Ambientais da SEMAS/PA, Cleyton Amin, ressaltou que as fases anteriores do ASL foram decisivas para fortalecer a gestão ambiental do estado. “O projeto apoiou o ordenamento territorial, a regularização ambiental e a estruturação de secretarias. A nova fase chega para avançarmos ainda mais. O Pará tem políticas estruturantes como o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa e a meta de recuperar 5,65 milhões de hectares. O ASL é muito bem-vindo”.
Elivelton Carvalho, diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do IDEFLOR-Bio, reforçou que o ASL Brasil tem sido fundamental para fortalecer a gestão das UCs estaduais, permitindo implementar planos de manejo, avançar em concessões florestais e ampliar ações de monitoramento de quelônios. “Foi por meio do ASL que captamos os recursos necessários para estruturar documentos essenciais. Também realizamos a concessão florestal de 200 mil hectares na Flota do Iriri, um marco para a gestão sustentável da região”, afirmou.
Segundo o coordenador técnico do ASL Brasil, Henrique Santiago, investimentos anteriores já vêm gerando resultados concretos, como a implantação de mais de 500 hectares de sistemas agroflorestais na APA Triunfo do Xingu, cuja produção incrementa a renda de famílias agricultoras.
Em perspectiva regional, Erwin De Nys, gerente de Meio Ambiente e Desenvolvimento Social para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, destacou que, entre 2017 e 2024, o ASL Brasil apoiou a criação de 23 novas áreas protegidas (4,3 milhões de hectares), fortaleceu a gestão de 62 milhões de hectares de unidades existentes, restaurou 1.600 hectares de florestas e apoiou a coleta de 45 toneladas de sementes nativas. Para ele, o ASL Xingu reforça esse legado e se torna peça-chave da iniciativa Amazônia Viva. “Os resultados do ASL Brasil são muito importantes. O Xingu é agora um elemento central da nossa iniciativa, com foco em empregos, resiliência e resultados mensuráveis”.
Sobre o Projeto
O Projeto ASL Xingu é coordenado pela Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA (SBIO/MMA) e tem como agência executora a Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS/PA), o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (IDEFLOR-Bio), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e dez municípios paraenses: Gurupá, Altamira, Senador José Porfírio, São Félix do Xingu, Porto de Moz, Abaetetuba, Melgaço, Itaituba, Portel e Prainha.
O ASL Xingu integra o Programa Regional ASL (Amazon Sustainable Landscapes), implementado pelo Banco Mundial e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que articula países amazônicos na gestão integrada de suas paisagens.
Saiba mais:
Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia ASL Brasil
SBIO COP30
ASL Brasil FGV
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