Remuneração menor pode ser sinal de desaceleração na economia

Institucional
03 Novembro 2011

Divulgada pelo IBGE no último dia 27, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), referente ao mês de setembro, manteve em 6% a taxa de desocupação, o que corresponde a 1,5 milhão de desempregados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ? Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Um quadro estável se comparado ao mesmo período de 2010, quando o número foi de 6,2%, e a agosto passado, no qual foram registrados os mesmos 6%. Segundo o instituto, essa é a menor valor estimado para um mês de setembro desde março de 2002, inicio da série. A novidade, conforme aponta Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Centro de Economia Aplicada do IBRE/FGV, foi a redução de 1,8% do rendimento médio real habitual dos trabalhadores ? R$ 1.607,60 ? frente ao mês anterior, R$ 1.637,26. ?O salário, em geral, estava subindo, e agora, houve queda. Isso pode ser um sinal de alerta de desaceleração econômica, talvez pelo fato da indústria estar desacelerando por conta da crise europeia?, afirma, ressaltando que ainda não é possível dizer se a queda foi ou não sazonal. ?Isso nós só saberemos em novembro, quando liberam a próxima PME. A partir daí poderemos confirmar se a crise lá fora está influenciando o nosso mercado de trabalho ou não?, destaca. Rodrigo de Moura, pesquisador do Centro de Economia Aplicada do IBRE/FGV, concorda que efeitos de uma desaceleração econômica, tanto devido ao cenário internacional quanto à criação de medidas anticíclicas do governo ? a exemplo, a redução da Selic pelo Banco Central ?, estariam impactando na remuneração da população ocupada. Mas pondera que, mesmo com a queda em setembro último, a renda vinha crescendo, porém cada vez menos. ?A variação de renda tem sido ocasionada menos pela demanda das firmas por profissionais ou por negociação salarial. O que vem mantendo a renda relativamente alta é o crescimento da produtividade do trabalhador, que está mais escolarizado?, analisa. Para os próximos meses, Moura acha que o salário não deve cair muito, ficando em torno de R$ 1.600. O mesmo se aplica à taxa de desemprego. ?Já existe, aparentemente, uma piora no cenário por causa da percepção das pessoas com relação a crise. Só que o mercado de trabalho reage lentamente. É normal o desemprego começar a subir um pouco e se estabilizar, só que não deve chegar aos 8% vistos há dois anos atrás. O Brasil já passou por mudanças estruturais no mercado de trabalho que evitariam isso?, completa. Estudo - Holanda também enfatiza a ligação entre escolaridade e a taxa de emprego. ?Trabalhadores com maisanos de escolaridade, em geral, enfrentam desempregos menores. A partir do momento que a pessoa completou o ensino médio, o desemprego dele cai?, diz. A afirmação é resultado do estudo ?Uma análise da redução da taxa de desemprego?, realizado em parceria com o economista Samuel Pessoa (IBRE/FGV), apresentado no dia 26 deste mês. A pesquisa mostra que pessoas com escolaridade de 5ª a 8ª séries são as que apresentam os mais altos índices de desemprego pelo fato de estarem no meio termo da escalada por qualificação, ou seja, nem analfabeto, mas nem tão qualificado. ?Ele procura emprego porque se sente apto a isso. Mas, se forem jovens, não tem experiência, nem o nível aceitável de estudo. Se formos fazer um gráfico, e colocarmos no eixo horizontal os anos de escolaridade e no vertical a taxa de desemprego, ela sobe para depois cair. Cai a partir do ensino médio?, sintetiza. Quando se trata dos analfabetos, a taxa de desocupados é baixíssima, pois, segundo Holanda, é difícil de ser medida. ?Em geral, eles já desistiram de arrumar emprego?, explica.