RH Summit IA reúne especialistas na FGV para debater o papel da inteligência artificial no futuro da gestão de pessoas
Evento promovido pela ABRH-RJ, em parceria com a FGV In Company, destacou os desafios éticos e humanos da adoção da IA nas organizações

O Centro Cultural da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, recebeu, na quarta-feira, 30 de outubro, a primeira edição do RH Summit IA — Liderar com inteligência e cuidar das pessoas, promovido pela ABRH-RJ, em parceria com o FGV In Company. O encontro reuniu executivos, acadêmicos e profissionais de Recursos Humanos para discutir como a inteligência artificial (IA) está transformando a forma de liderar, desenvolver e cuidar de pessoas dentro das organizações.
Produtividade com propósito e o desafio da cognição humana
Em sua fala de abertura, o professor André Barcaui, da FGV, provocou a plateia ao abordar os impactos da IA sobre a aprendizagem e o pensamento crítico. Ele apresentou resultados de uma pesquisa recente, comparando grupos de estudantes que utilizaram e que não utilizaram ferramentas de IA em atividades acadêmicas.
“Estamos trocando uma coisa extraordinária. Ganhamos produtividade, mas perdemos cognição, memória e pensamento crítico. A IA não é inimiga, mas exige que a gente aprenda — e desaprenda — constantemente”, destacou Barcaui.
Para ele, o papel das instituições de ensino e das empresas é desenvolver novas formas de aprendizagem baseadas na curiosidade, no questionamento e na capacidade de adaptação.
Pensamento crítico e repertório: o que ainda é insubstituivelmente humano
A pesquisadora Elise Argimon alertou para o risco de que a comodidade gerada pelas ferramentas generativas leve a uma “preguiça cognitiva”.
“A IA pode nos empoderar ou nos emburrecer — depende do usuário. Quando aceitamos respostas prontas sem reflexão, deixamos de exercitar o pensamento crítico e de construir repertório”, afirmou.
Já Cristina Goldschmidt reforçou a importância de investir não apenas em capacitação técnica, mas também em competências socioemocionais — fundamentais para que líderes e equipes tomem decisões éticas e conscientes em um ambiente de transformação constante.
A humanização como vocação do RH
O educador e executivo Zé Jorge Schoichet destacou que a IA deve ser vista como um meio, e não como um fim em si mesma.
“A inteligência artificial não é inteligente — é uma ferramenta. A inteligência é atributo humano. Nosso papel é usar a IA para ampliar nossa capacidade de cuidar, decidir e liderar com consciência. RH não é uma profissão, é uma vocação: a arte de cuidar das pessoas”, observou.
Schoichet ressaltou ainda que, diante da automatização crescente, o papel do RH é reumanizar o trabalho, equilibrando tecnologia, cultura e propósito.
Liderar com inteligência e cuidar de pessoas
O evento também promoveu debates sobre liderança, ética e governança de dados, destacando que a adoção responsável da IA passa pelo desenvolvimento de líderes capazes de mediar o diálogo entre tecnologia e humanidade. Entre os temas discutidos, estiveram a formação de novas competências, a gestão multigeracional e o aprendizado contínuo no contexto das transformações do mundo do trabalho.
Encerrando o painel, André Barcaui reforçou a importância de uma abordagem ética e pragmática na adoção da tecnologia:
“A IA não é futuro — é presente. Mas o que nos torna humanos continua insubstituível.”
FGV e ABRH-RJ: parceria pelo futuro do trabalho
A realização do RH Summit IA no auditório do Centro Cultural FGV reforçou o compromisso da instituição com o debate sobre os impactos da tecnologia e o desenvolvimento de competências humanas e estratégicas para o futuro do trabalho. A parceria com a ABRH-RJ fortalece o diálogo entre academia, mercado e sociedade, consolidando a FGV como um espaço de reflexão sobre os desafios éticos, sociais e organizacionais da era digital.
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