Sérgio Werlang fala sobre regime de metas para inflação e desafios econômicos do país em podcast

Ex-diretor do Banco Central e responsável pela implantação do regime de metas para a inflação no Brasil, o professor de economia traz sua contribuição sobre esse processo que mudou a forma de gerir a política monetária no Brasil a partir de 1999
Economia
15 Julho 2021
Sérgio Werlang fala sobre regime de metas para inflação e desafios econômicos do país em podcast

O professor da FGV Sérgio Werlang é o convidado desta semana do podcast Arte da Política Econômica, do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (IEPE/CdG). Ex-diretor do Banco Central e responsável pela implantação do regime de metas para a inflação no Brasil, o professor de economia traz sua contribuição sobre esse processo que mudou a forma de gerir a política monetária no Brasil a partir de 1999.

Transparência do Bacen, atas do Copom, relatório da inflação, pesquisas de expectativas, termos que refletem a abertura do Banco Central e que podem soar de forma comum hoje, são produto da implantação do sistema de metas para inflação no Brasil. Werlang conta nesse podcast que o objetivo era desenvolver um sistema de metas para inflação, que já fora adotado em países como Nova Zelândia e Inglaterra, todos com problemas cambiais, à semelhança do Brasil. Desta forma, o BC deixava de controlar a moeda e passava a controlar a inflação por meio da taxa de juros.

“A implantação do regime de metas exigiu uma transformação do Banco Central em sua visão, atitudes, métodos e instrumentos. O primeiro desafio residiu em convencer os técnicos do Banco Central da eficácia do novo regime de metas, dada a tradição monetarista de controle dos agregados monetários. Outro fator, pouco mencionado, mas também de grande apreensão, era a inexistência de programas do FMI que seguissem o regime de metas para inflação. E havia ainda o problema do câmbio, que dificultaria a previsão do modelo de inflação, já que a saída do regime de câmbio fixo veio acompanhada de um overshooting”, destaca o professor de economia.

Para a viabilização do novo sistema foi fundamental a criação do Departamento de Estudos e Pesquisas do Banco Central, que reuniu um grupo de pesquisadores que gerou toda a expertise necessária ao suporte do regime de metas e o desenvolvimento de novas ferramentas de comunicação com o mercado. O novo regime acabou se beneficiando de experiências internacionais, como as observadas na Nova Zelândia (1989), Chile (1991), Inglaterra (1992) e Suécia (1993), que demonstraram ser possível a sua adoção mesmo em países emergentes como o Brasil.

No programa, Werlang destaca ainda que a comunicação foi um pilar que sustentou o novo regime. Segundo ele, entender o sistema de metas é, na verdade, compreender a importância de se coordenarem as expectativas e, nesse contexto, a comunicação teve um papel central no novo regime desde seu início, já que a hesitação criaria um alto custo macroeconômico, e era preciso dialogar com o mercado para convencê-lo sobre o novo sistema.

“A divulgação de atas por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) constituiu um grande passo para o processo de comunicação. Outro fator importante para a aceitação do plano foi o intenso programa de divulgação, que tinha como base a realização de inúmeras apresentações do presidente e diretores para o mercado, jornalistas e a sociedade em geral”, complementa o professor da FGV.

O professor também abordou os desafios futuros para o regime de metas. Werlang explicou que a expectativa é que o Banco Central consiga uma melhor acomodação do regime de metas de acordo com a realidade macroeconômica do País, já que não basta replicar a taxa esperada de um país vizinho, como o Chile, onde se enfrenta um cenário fiscal diferente do Brasil. Outra mudança recomendada é uma maior transparência do Banco Central, tanto na divulgação dos votos quanto dos modelos.

“A evolução do regime de metas no Brasil está atrelada a metas para a inflação realistas, transparência sobre os votos e divulgação dos modelos utilizados pelo Bacen”, pondera.

Ao término do episódio, o professor reitera que apesar das novas correntes e formas de se pensar macroeconomia, a base keynesiana deve ser respeitada, pois, mesmo passíveis de imprecisões e limitações, os modelos macroeconômicos tradicionais neokeynesianos ainda são os mais confiáveis.

O podcast completo com a participação do professor Sérgio Werlang está disponível no site.

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