Partidos coadjuvantes, porém grandes demais para serem ignorados

  • Partidos coadjuvantes, porém grandes demais para serem ignorados
    Autor
    • Carlos Pereira

      Professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE). Atualmente também é Visiting Fellow in the Foreign Policy and Global Economy and Development programs do Brookings Institution, Washington-DC. Anteriormente foi professor titular da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP) e professor do Departamento de Ciência Política da Michigan State University. Teve passagem como professor visitante do departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e do Colby College-Maine, USA. Além disso, foi pesquisador adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Fundação Oswaldo Cruz. Possuindo ainda vasta experiência como consultor e pesquisador de agências internacionais como Banco Interamericano de Desenvolvimento-IADB, Banco Mundial, e do Department for International Development (DFID), UK. Publicou em vários periódicos nacionais e internacionais tais como Journal of Politics, Comparative Political Studies, Legislative Studies Quarterly, Governance, Political Research Quarterly, Journal of Latin American Studies, Electoral Studies, Quarterly Review of Economics and Finance, Journal of Legislative Studies, Revista Dados, Revista Brasileira de Economia Política, Revista Brasileira de Ciências Sociais, entre outras. Ele também publicou um livro co-autorado "Regulatory Governance in Infrastructure Industries" pelo World Bank Press e tem outro livro intitulado Power, Beliefs, and Institutions: Understanding Modern Development with an Application to Brazil que será submetido para a Cambridge University Press.

    • Samuel Pessôa

      Graduação e mestrado em Física pela USP, e doutorado em Economia pela USP. Atualmente é sócio da Reliance em São Paulo, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e colunista do jornal Folha de S. Paulo. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Crescimento e Desenvolvimento Econômico, atuando principalmente nos seguintes temas: economia, taxas, educação no Brasil e gastos. Autor de diversos artigos acadêmicos sobre temas ligados ao desenvolvimento econômico, publicados em revistas nacionais e internacionais.

    • Frederico Bertholini

      Doutor em Administração (Instituições, Políticas e Governo) pela FGV, com período sanduíche na Universidade de Nova York. Gerente de Estudos na Codeplan-DF e pesquisador associado na Escola Brasileira de Administração Pública e de Emrpesas (FGV EBAPE). Foi formador de gestores no ProJovem Urbano e Coordenador Municipal de Qualificação Profissional do ProJovem na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Políticas Públicas, Avaliação e Métodos de Pesquisa.

Resumo

Em contextos de fragmentação partidária, como o brasileiro, siglas como o PMDB abdicam do protagonismo e apoiam o governo no Legislativo para terem benefícios sem correr grandes riscos. Esse é o tema da pesquisa “Partidos coadjuvantes, porém grandes demais para serem ignorados”, que visa investigar o que faz um partido como o PMDB ser coadjuvante da coalizão de governo.

Como metodologia, o estudo apresentou o desenvolvimento de um arcabouço teórico capaz de explicar a escolha de trajetórias de partidos políticos em presidencialismos multipartidários, a realização de survey com 123 especialistas em política latino-americana, além do desenvolvimento de medidas de tipificação de partidos e do grau de protagonismo no Executivo. Após análise dos dados, foi possível identificar uma correlação positiva forte entre fragmentação partidária e a ocorrência de partidos coadjuvantes de centro com presença forte no Legislativo na América Latina. O estudo também chegou à conclusão de que é mais barato e fácil gerenciar uma coalizão majoritária tendo um partido coadjuvante como aliado. Embora existam partidos políticos similares ao PMDB na região, não foi encontrado nenhum que atenda a todas as suas características. O partido atende a cinco características principais: distribuição nacional, grande presença no Congresso Nacional, indefinição ideológica, participação em quase todas as coalizões do Executivo ocupando uma posição pivotal, e não lançamento de candidatos à cabeça do Executivo nacional. Dessa forma, possivelmente – tema para pesquisa futura – a estrutura federativa brasileira tenha forte papel em desestimular o PMDB a lançar candidatos a presidente. A possibilidade de poder barganhar posições vantajosas na política local em troca de não lançar candidatos ao Executivo nacional deve ter papel importante nessa decisão do PMDB.