DAPP revisita pesquisa sobre o cenário inicial das UPPs no Rio e analisa panorama atual
O levantamento mostra que, cerca de seis meses após a inauguração da primeira UPP, em maio de 2009, 96% das 1.200 pessoas entrevistadas afirmavam que o programa deveria ser expandido.

Após quase oito anos de implantação, o projeto de segurança pública batizado de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) vive um panorama de incerteza. Registros de confrontos em favelas pacificadas somam-se à crise financeira do governo do estado do Rio de Janeiro e à saída de José Mariano Beltrame do posto de secretário de segurança após 10 anos de gestão. Diante desse cenário, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP) debruçou-se sobre uma pesquisa de opinião realizada pela FGV em maio de 2009 com moradores do Santa Marta, da Cidade de Deus e de bairros do entorno. O objetivo foi, ao olhar para esse período inicial, dar subsídios para o poder público continuar com os avanços já alcançados.
O levantamento mostra que, cerca de seis meses após a inauguração da primeira UPP, em maio de 2009, 96% das 1.200 pessoas entrevistadas afirmavam que o programa deveria ser expandido. Quando demandados sobre sua situação de segurança, os moradores das favelas ocupadas demonstraram consistentemente uma percepção mais elevada de melhoria do que os moradores do entorno. Os moradores do Santa Marta e da Cidade de Deus também avaliaram melhor o treinamento dos policiais do que os moradores dos bairros vizinhos, além de conferirem mais crédito às ações do governo.
Apenas em março de 2016, entretanto, foram registrados tiroteios envolvendo policiais em 30 das 38 UPPs. Ao todo, foram notificados 112 tiroteios e ao menos 3.693 disparos ? o que equivale a um tiro a cada 12 minutos. Artigo do diretor da DAPP, Marco Aurelio Ruediger, publicado no jornal ?O Globo?, ressaltou que a avaliação dos dois momentos evidencia o desgaste das UPPs entre os moradores, consequência do esgarçamento das relações locais e da falta de complementação do programa com outras áreas de atuação do governo.
?A experiência, bem-sucedida no início, reforça a necessidade de integração das ações de segurança também com a prefeitura, que dispõe hoje de recursos e dados para trabalhar com inteligência e tecnologia, assumindo maior protagonismo no setor?, apontou Ruediger.
Confira a pesquisa completa aqui.
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