Estudo propõe estratégias para gerenciar a Sustentabilidade Corporativa
A pesquisa destaca três tipos de trade-offs comuns em decisões organizacionais de sustentabilidade: escolha de objetivos, períodos e stakeholders.

Gerenciar a sustentabilidade é um desafio para as empresas, especialmente quando há conflitos entre os pilares econômico, social e ambiental. No artigo publicado na revista GV-Executivo, José Guilherme Ferraz de Campos, doutor em Administração e professor da Escola Superior de Engenharia e Gestão (ESEG), discute os trade-offs em relação à sustentabilidade corporativa e apresenta estratégias para superar as incongruências do tripé da sustentabilidade.
Os trade-offs em sustentabilidade corporativa são situações em que, para ganhar em uma dimensão, outras são prejudicadas. O texto destaca três tipos de trade-offs comuns em decisões organizacionais de sustentabilidade: escolha de objetivos, períodos e stakeholders. O primeiro tipo envolve a priorização de objetivos econômicos em detrimento de outros, o segundo refere-se à escolha entre resultados imediatos ou futuros, e o terceiro tipo diz respeito à dificuldade em gerenciar os relacionamentos com diversos stakeholders e manter a legitimidade social.
Segundo o autor, para superar essas incongruências do tripé da sustentabilidade, é necessário adotar uma perspectiva integrativa, levando em conta aspectos sociais, ambientais e econômicos simultaneamente, mesmo quando há contradições entre eles. As empresas geralmente priorizam o aspecto econômico, mas observar organizações de negócios de impacto ou organizações híbridas pode ajudar a entender como as empresas podem acomodar esses trade-offs.
Pois, essas organizações possuem modelos de negócio sustentáveis e consideram o impacto socioambiental como parte inerente à sua natureza e funcionamento. Para entender as estratégias que organizações híbridas utilizam para acomodar os trade-offs em relação à sustentabilidade, foi realizada uma pesquisa qualitativa com estudo de casos múltiplos de dez organizações híbridas de micro, pequeno e médio portes nos setores de agroalimentação e moda e têxtil, classificadas como negócios de impacto ou empresas com modelos de negócio sustentáveis.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas com os sócios administradores ou gestores principais das empresas e análise de documentos internos e públicos divulgados pelas organizações. A estrutura de progressão analítica foi utilizada para identificar situações em que as empresas se viram diante de decisões envolvendo trade-offs de sustentabilidade e gerar conclusões a partir da análise das ações individuais das empresas até chegar às abordagens utilizadas.
As empresas utilizam cinco abordagens para lidar com os trade-offs da sustentabilidade: compensar, hierarquizar, diferenciar, redirecionar e subsidiar. Cada uma dessas abordagens envolve a tomada de decisão sobre os trade-offs entre diferentes dimensões da sustentabilidade. As estratégias podem ocorrer de forma conjugada e algumas delas podem ser aplicadas apenas a determinados produtos, processos ou mercados. As empresas normalmente adotam uma perspectiva situacional, aplicando as estratégias para acomodar trade-offs pontuais, em vez de uma estratégia global para toda a empresa.
Em resumo, superar as incongruências do tripé da sustentabilidade é um desafio para as empresas, mas é possível adotando uma perspectiva integrativa e aplicando estratégias específicas para lidar com os trade-offs. As empresas que conseguirem gerenciar a sustentabilidade de forma mais eficaz poderão desfrutar de benefícios econômicos, sociais e ambientais a longo prazo, garantindo um futuro sustentável para todos.
“As estratégias apresentadas revelam a complexidade dos dilemas que surgem aos negócios que almejam impacto socioambiental. Nem sempre a decisão é entre a dimensão econômica e as dimensões social e ambiental, e, quando é esse o caso, verificamos que há muitas maneiras de preservar o impacto com perenidade dos negócios. Há também escolhas entre o social e o ambiental e entre diferentes focos em cada uma dessas dimensões. Para todos os trade-offs, há caminhos, desde que sejam acomodados e não suprimidos a favor da dimensão econômica”, conclui o autor.
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