Institucional

IBRE analisa atual cenário econômico brasileiro em seminário

Os economistas do IBRE apresentaram suas projeções de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e mostraram análises sobre o comportamento da inflação, da confiança de empresas e consumidores, da política fiscal e monetária, da economia internacional e do mercado de trabalho, entre outros temas.

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O Instituto Brasileiro de Economia da FGV (IBRE) realizou, no dia 5 de setembro, a terceira reunião de Análise Conjuntural de 2016. Os economistas do IBRE apresentaram suas projeções de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e mostraram análises sobre o comportamento da inflação, da confiança de empresas e consumidores, da política fiscal e monetária, da economia internacional e do mercado de trabalho, entre outros temas.

A abertura ficou a cargo do coordenador do Boletim Macro do IBRE e um dos organizadores do evento, Regis Bonelli. O economista destacou que o Brasil está em recessão desde o segundo trimestre de 2014 e que as previsões indicam que ao término desse ano o país chegará ao nível de produto do final de 2010. Ele também destacou a evolução da taxa de desemprego, que recentemente chegou a 11,2% no segundo trimestre de 2016, com tendência de continuar subindo caso as previsões de queda do PIB se mostrem acertadas. Segundo Bonelli, outro fator preocupante é o aumento da inflação apesar do quadro recessivo.

?A taxa de inflação medida pelo IPCA acumulada em 12 meses acelerou mesmo com a recessão a partir de 2014. Após alcançar o máximo de 10,7% no último trimestre de 2015 ela caiu 1,7 ponto de percentual, estando ainda em nível muito alto?, explicou.

Na sequência, José Júlio Senna apresentou os indicadores da política monetária dos EUA e Brasil. Segundo o pesquisador, indicadores do Banco Central Norte-americano (FED), apontam para uma tendência declinante da taxa de inflação e com mercado de trabalho com igual tendência de queda do desemprego. O economista destacou que, diante desse quadro, fica claro que o FED não resolverá os problemas de juros neutros, queda na produtividade e estagnação da economia. Avaliando o cenário no Brasil, ele destacou ainda que os sinais da nova equipe de política monetária foram bem específicos e contundentes.

?O COPOM (Comitê de Política Monetária) conduzirá a política monetária de modo que suas projeções de inflação, inclusive no cenário de mercado, apontem inflação na meta nos horizontes relevantes. Vai ser difícil flexibilizar a política monetária se o que se está se esperando é que mesmo no cenário de mercado a inflação chegue a 4,5% no final de 2017. ?, destacou.

Ele deu ênfase a uma mudança de tom do Banco Central, que agora condiciona a flexibilização da política monetária a maior confiança no alcance das metas, tendo como fatores condicionantes a inflação de alimentos, os preços mais sensíveis e as incertezas do lado fiscal. O economista finalizou afirmando que há um claro indício de que a porta está aberta para a redução da taxa básica de juros em outubro.

Aloísio Campelo, superintendente de estatísticas públicas e responsável pelas sondagens do IBRE, falou sobre os indicadores de confiança e expectativas. Segundo ele, já é possível verificar uma virada na confiança da indústria, que chegou ao nível mínimo em agosto do ano passado, além de uma redução do pessimismo entre as empresas, indicando um caminho de estagnação da confiança depois de quedas bem expressivas. Ele apontou ainda a necessidade de avanço mais expressivo dos índices que medem a situação atual, a redução das incertezas, o aumento de otimismo e a melhora das finanças familiares como fatores fundamentais para que seja verificado aumento na confiança nos próximos meses.

Em seguida, foi a vez de Salomão Quadros apresentar o panorama de inflação a curto prazo. O economista exibiu um gráfico que mostra a lenta desaceleração da inflação. Ele acredita, porém, que o ritmo de queda da taxa de inflação tende a acelerar nos próximos meses com o arrefecimento dos choques de oferta do último ano e meio. Com isso, o IPCA pode chegar a 7,5% ao final de 2016, ainda que esteja muito dependente da queda do preço dos alimentos.

Silvia Matos, por sua vez, abordou o cenário macro. Ela falou que a economia brasileira está passando por um período de inflexão, com sinais mais nítidos de estabilização da atividade econômica. A economista ponderou que apesar de esperar uma retomada no ano que vem, ainda não dá para esperar uma aceleração muito expressiva para 2017. Ela destacou também que para a economia voltar a crescer a taxas mais elevadas será necessário que a solvência do setor público seja de fato restaurada no médio e longo prazo.

A segunda parte do evento foi dedicada ao debate. Samuel Pessôa destacou que as dúvidas sobre a retomada da economia brasileira ainda persistem e que a tendência é que essa recuperação seja lenta. Bráulio Borges enfatizou que o quadro atual da economia mundial indica o que ele chama de ?semi-recessão? global, com juro real negativo em grande parte das economias. No que diz respeito ao Brasil, ele destacou que o ponto de partida para uma recuperação cíclica da demanda interna brasileira é desfavorável. Já Armando Castelar finalizou os comentários ressaltando que a questão de juros e inflação será uma ?dor de cabeça? para o Banco Central em 2017 e que a recuperação brasileira é ainda muito frágil, baseada na expectativa positiva do PIB e no aumento da confiança.