Evento promove lançamento de livro sobre uma nova síntese historiográfica do Império no Brasil

A obra está ordenada cronologicamente e dividida em duas partes, sendo a primeira sobre o período de 1823 a 1848 até sua consolidação, em simbiose com o café.
Ciências Sociais
12 Agosto 2022
Evento promove lançamento de livro sobre uma nova síntese historiográfica do Império no Brasil

Promovido pela FGV Editora, o livro “Império em disputa: coroa, oligarquia e povo na formação do Estado brasileiro (1823-1870)”, escrito pelos historiadores Thiago Krause e Rodrigo Goyena Soares, tem início com a fundação do Império do Brasil e apresenta uma nova síntese historiográfica sobre este período, voltada tanto para os especialistas como para o leitor mais amplo. Para marcar o lançamento desta obra, os autores estarão presentes em eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O evento do Rio terá um bate-papo com os autores Thiago Krause e Rodrigo Goyena Soares, com mediação da professora Mariana Muaze (Unirio), dia 17 de agosto às 17h no auditório no auditório da Sede FGV (Praia de Botafogo, 190. 12º andar. Rio de Janeiro). Em São Paulo, os autores promovem novo encontro no dia 22/8 às 18h, na Livraria Martins Fontes Paulista (Avenida Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo/SP).

A obra está ordenada cronologicamente e dividida em duas partes, sendo a primeira sobre o período de 1823 a 1848, que analisa o processo de estruturação política do Império e as múltiplas contestações sofridas até sua consolidação, em simbiose com o café. Trata-se de um período de intensos conflitos, em que constrangimentos materiais, tendências ideológicas, pressões internacionais, divisões regionais e mobilizações subalternas empurraram o país em direções diferentes, até um projeto vitorioso.

Dentre os três primeiros capítulos, o livro investiga como a intensa politização dos anos da independência transbordou para o Primeiro Reinado, apontando que as temáticas sensíveis nos anos anteriores continuaram a suscitar debates e embates, como a relação entre a Corte e as províncias, o futuro da escravidão, a inserção geopolítica do Brasil e o poder pessoal do monarca. Na sequência, abrange as atuações das oligarquias regionais, pobres urbanos, “livres de cor”, camponeses, indígenas, escravizados, em busca de objetivos imediatos, pontuais, abstratos ou concretos, bem como as discussões sobre a proibição do tráfico de africanos, da escravidão indígena e da aprovação de maior autonomia provincial.

Discussões vencidas com a ação oligárquica em defesa da ordem social e a demanda por trabalhadores escravizados no Vale do Paraíba cafeeiro, que esmagou os movimentos contestatórios entre 1837 e 1849 e consolidou o Estado brasileiro e a garantia da unidade territorial, vem o regresso ao conservadorismo nesta primeira fase da história do Império.

O período denominado pelos autores de pax escravocrata, que abre a segunda parte do livro, ocorreu com uma refundação da política fundiária e financeira, buscando garantir a preservação dos interesses agrícolas. Combinadas as ambições públicas, foi um tempo de formação, embora lenta e sempre desigual, dos mercados brasileiros: o de capitais, o de terras e o de trabalho. Todavia, o projeto centralizador - ao fim e ao cabo, o vitorioso por excelência à época do Império - teve de lidar com as ambições provinciais, especialmente num quadro de intensificação do tráfico inter e intraprovincial.

A economia imperial, de franca tração agrária e envolvida com a economia internacional, sentiu os efeitos de uma primeira crise financeira global, com a eclosão de revoltas, rebeliões e greves que voltariam a estourar, sinalizando o esgotamento de um tempo. A crise da ordem, analisada no final da obra, tem início com o retorno dos liberais ao poder - quando rapidamente compuseram o partido progressista, assim chamado em oposição ao regressista da década de 1830.

Por fim, o impacto financeiro da guerra do Paraguai, o reflexo do término da escravidão nos Estados Unidos, com a promulgação no Brasil da Lei do Ventre Livre, seguidos do deslocamento do principal eixo produtivo nacional para São Paulo, com a manutenção da centralização orçamentária e bancária no Rio de Janeiro, apontavam para o fim de um período com a aproximação do século XX.

Para ter acesso ao livro, clique no link.

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