Mercado de Trabalho: Indicador registra menor nível da série histórica

“Os impactos da pandemia de coronavírus se mostram cada vez mais fortes no IAEmp. Os níveis recordes de incerteza tornam empresários e consumidores cautelosos, gerando uma deterioração das expectativas nos próximos meses”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE
Economia
12 Maio 2020
Mercado de Trabalho: Indicador registra menor nível da série histórica

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getulio Vargas despencou 42,9 pontos em abril, para 39,7 pontos. Essa é a maior queda mensal e o menor nível do indicador na série histórica iniciada em 2008. Em médias móveis trimestrais, o IAEmp reforça trajetória decrescente ao cair 17,5 pontos, para 71,4 pontos.

“Os impactos da pandemia de coronavírus se mostram cada vez mais fortes no IAEmp. O resultado do mês registra um aumento do pessimismo em relação ao mercado de trabalho. Os níveis recordes de incerteza tornam empresários e consumidores cautelosos, gerando uma deterioração das expectativas nos próximos meses”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.

O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) subiu 5,9 pontos em abril, para 98,4 pontos, maior aumento na margem e maior patamar desde dezembro de 2018 (98,9 pontos). O ICD é um indicador com sinal semelhante ao da taxa de desemprego, ou seja, quanto maior o número, pior o resultado. Em médias móveis trimestrais, houve aumento de 2,0 pontos para 94,3 pontos, invertendo tendência decrescente anterior.

“A queda do ICD não foi tão forte quanto do IAEmp, mas o aumento recorde no mês aproxima a série dos níveis mais altos já observados. Não há, no curto prazo, expectativa de reversão da tendência negativa iniciada nos últimos 2 meses e aprofundada em abril”, continua Rodolpho Tobler.

Todos os sete componentes do IAEmp, despencaram em abril, com quatro dos sete indicadores recuando pelo menos em 50,0 pontos. O destaque do mês é para o indicador que mede as expectativas para os próximos seis meses e o indicador que mede a situação corrente dos negócios, ambos para a Indústria, que recuaram 76,3 e 65,1 pontos, na margem, respectivamente.

No mesmo período, o aumento do ICD foi influenciado por todas as quatro classes de renda familiar. A maior contribuição para o resultado foi dada pela classe familiar com renda até R$ 2.100 e pela classe com renda acima de R$ 9.600, cujo Emprego Local Atual (invertido) variou negativamente em 8,7 e 7,9 pontos na margem.

O estudo completo está disponível no site.