Sérgio Moro defende políticas públicas sérias para combate à corrupção em Simpósio na FGV
Institucional
27 Novembro 2018

Sérgio Moro defende políticas públicas sérias para combate à corrupção em Simpósio na FGV

"Sempre temos que ter em mente um problema que tínhamos no Brasil e que foi superado, que é a hiperinflação nos anos 1980 e início dos anos 1990. Através de políticas públicas consistentes conseguimos superar esse problema. O que se quer, a partir de janeiro, é uma espécie de Plano Real contra a criminalidade no Brasil”, declarou Moro.

Um amplo debate sobre combate à corrupção reuniu o futuro Ministro da Justiça, Sérgio Moro, acadêmicos, autoridades e entidades da sociedade civil no Centro Cultural FGV, no Rio de Janeiro no último dia 23 de novembro. No evento, realizado pela FGV Energia e pela Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), com apoio da Escola de Direito do Rio de Janeiro (FGV Direito Rio), o ex-juiz federal, responsável pelo julgamento de casos de corrupção na Operação Lava-Jato, garantiu que vai apresentar um projeto de lei contra a corrupção, ao crime organizado e crimes violentos já nos primeiros meses de sua gestão à frente do Ministério.

De acordo com Sérgio Moro, os últimos anos revelaram que a corrupção está desenfreada. O ex-juiz federal declarou que crime organizado, hoje, é um problema de segurança nacional, uma vez que essas organizações estão cada vez mais fortes e poderosas, sem que enfrentem salvo algumas iniciativas pontuais, ações concertadas do Estado. Ele também destacou a maneira perversa de como crimes violentos afetam, especialmente, as minorias, vítimas de crimes de homicídio, por exemplo. A ideia do futuro ministro da Justiça é combater a criminalidade com uma política pública séria, com efeitos semelhantes ao que o Plano Real produziu para a economia.

“Há um desejo de que haja uma melhoria no quadro geral da justiça e da segurança pública no Brasil. Nós temos muitas vezes uma crença de que alguns problemas permanentes do Brasil são problemas naturais, e que nós precisamos aprender a conviver com esses elevados índices de impunidade, violência e criminalidade e que não podemos fazer nada a respeito. Isso tudo é falso. O que nós precisamos é melhorar as nossas instituições e melhorar as respostas das instituições. Sempre temos que ter em mente um problema que tínhamos no Brasil e que foi superado, que é a hiperinflação nos anos 1980 e início dos anos 1990. Através de políticas públicas consistentes conseguimos superar esse problema. O que se quer, a partir de janeiro, é uma espécie de Plano Real contra a criminalidade no Brasil”.

No mesmo painel, o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos julgamentos da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, frisou que o debate sobre corrupção deve ser prioritário, pois impacta diretamente no desenvolvimento da sociedade.

“Em um ambiente de cultura de corrupção os recursos certamente não vão chegar na ponta, não vão beneficiar a população, penalizando principalmente os mais carentes e necessitados”, ressaltou Bretas.

Mais cedo, após a mesa de abertura do evento, realizada pelo presidente da FGV, professor Carlos Ivan Simonsen Leal, a superintendente da Polícia Federal no Estado do Sergipe indicada por Moro para chefiar o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional a partir de 2019, Érika Mialik Marena, falou que a corrupção não só desequilibra o jogo democrático quando políticos que obtém dinheiro desviado usam esses recursos para bancar suas campanhas, como também o jogo econômico, pois impede a concorrência efetiva no mercado, além de todo o prejuízo social.

O evento também contou com a presença do governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e do prefeito da cidade do Rio, Marcelo Crivella, que participaram da última mesa do simpósio, junto com Maurício Valeixo, futuro diretor da Polícia Federal (PF), e Erick Blatt, delegado federal e vice-diretor da ADPF. O simpósio contou ainda com a presença dos diretores da FGV Energia e FGV Direito Rio, Carlos Quintella e Sérgio Guerra, respectivamente, Luis Carlos Cruz, delegado da PF e diretor da ADPF, Fernando de Pinho Barreira (Perito Criminal), Fabiano Angélico (Transparência Internacional), Márcio Adriano Anselmo (PF), Jorge Barbosa Pontes (PF), Yuri Sahione (OAB/RJ), Michael Mohallem (FGV Direito Rio), Ricardo Andrade Saadi (PF) e Edvandir Felix Paiva (PF).

Assista à integra do evento abaixo:

Manhã:

 

Tarde: