Estudo revela que educação impulsiona mobilidade social no Brasil
Economia
15 Fevereiro 2019

Estudo revela que educação impulsiona mobilidade social no Brasil

“Desigualdade de oportunidades pode ter muitas métricas, uma das mais usadas é a associação da renda do pai com a renda dos filhos. Por essa medida, o estudo mostra que caiu a desigualdade de oportunidades. Verificamos que a renda dos filhos é cada vez menos parecida com renda dos pais”, detalhou Duque.

A renda dos pais tem pesado menos sobre a renda dos filhos, segundo estudo feito por Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE). O resultado indica que filhos de pais pobres viram aumentar as suas chances de ter uma renda maior que a dos pais, apontando que o Brasil progrediu em relação à mobilidade social.

A associação entre a renda das duas gerações caiu 20 pontos percentuais, de 75% para 55%, em 18 anos. O estudo foi realizado com base em quesito especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluído em 1996 e 2014. Nas duas ocasiões, as pessoas responderam qual era a escolaridade e a ocupação dos seus pais quando os entrevistados tinham apenas 15 anos, permitindo estimar sua renda. Pelo levantamento, a expansão do acesso à educação básica e fundamental teve papel decisivo na melhora da mobilidade.

“Desigualdade de oportunidades pode ter muitas métricas, uma das mais usadas é a associação da renda do pai com a renda dos filhos. Por essa medida, o estudo mostra que caiu a desigualdade de oportunidades. Verificamos que a renda dos filhos é cada vez menos parecida com renda dos pais”, detalhou Duque.

E o acesso à educação teve papel preponderante. Isso porque, segundo o pesquisador, a oferta de vagas no ensino público ampliou-se na década de 1990 em relação a anterior, quando pessoas que nasciam em famílias mais pobres tinham menos oportunidades.

“A persistência intergeracional diminuiu principalmente em virtude da universalização do Ensino Básico entre o final dos anos 80 e 90, o que permitiu com que filhos de pais pouco escolarizados – e por isso mais pobres – tivessem acesso à escola, o que não acontecia antes dessa política”.

Outro fator apontado por Duque como importante para diminuir a desigualdade é a queda no “retorno da educação”, que é o quanto de anos de estudo a mais está associado a rendas mais altas. “Quanto menores são os retornos de educação dos filhos com relação ao dos pais, menor será a associação de renda entre eles”, explicou o pesquisador.

De acordo com o estudo, o melhor desempenho se deu entre mulheres negras, para as quais a diferença foi de 41,10 pontos percentuais em 2014, em comparação com 1996. A educação também teve influência nesse resultado. “A população negra teve historicamente menos acesso à educação do que a população branca, de modo que, com a universalização do Ensino Básico, os negros foram os que tiveram maior aumento de escolaridade. Como nas últimas décadas se observou que mulheres estudam em média por mais tempo do que homens, elas tiveram ainda maior aumento de nível educacional e, por isso, maior aumento da renda com relação aos seus pais”.

A influência da educação acende um alerta. Segundo o economista, para continuarmos melhorando é preciso atuar em duas frentes. Primeiro, é preciso melhorar a qualidade do ensino público, que é inferior ao ensino privado. Depois, faz-se necessário ter políticas públicas para evitar a evasão escolar, que afasta jovens de famílias mais pobres das escolas no Ensino Médio e, sobretudo, do Ensino Superior.