Pesquisa inédita traça comparativo da percepção do brasileiro com restante do mundo
Políticas Públicas
25 Outubro 2018

Pesquisa inédita traça comparativo da percepção do brasileiro com restante do mundo

Os dados subjetivos em escala global, mostrados na pesquisa, trazem luzes sobre valores e particularidades da situação brasileira em curso. O estudo comparou a evolução da percepção dos brasileiros com a de 124 países em alguns dos temas mais sensíveis do contexto atual: medo da violência, descrença no sistema político e falta de confiança estatal.

A pesquisa “Percepções da Crise”, divulgada pelo FGV Social no último dia 17 de outubro, mostra como o brasileiro enxerga aspectos diversos do contexto político e social. A partir dos microdados do Gallup World Poll, o FGV Social comparou a percepção do brasileiro com a de 124 países.

“Costumamos achar que o mundo está complicado e o Brasil também está. Na verdade o Brasil está bem mais complicado”, destaca o diretor do FGV Social e autor da pesquisa, Marcelo Neri.

Os dados subjetivos em escala global, mostrados na pesquisa, trazem luzes sobre valores e particularidades da situação brasileira em curso. O estudo comparou a evolução da percepção dos brasileiros com a de 124 países em alguns dos temas mais sensíveis do contexto atual: medo da violência, descrença no sistema político e falta de confiança estatal. Estes dados colocam o Brasil como o penúltimo pior em cada um desses quesitos entre todos os países pesquisados em 2017, pior ano da série brasileira.

O estudo também mostrou que 68% se sentem inseguros em andar à noite na área de moradia no Brasil; só 14% acreditam na honestidade das eleições e 82% não confiam no Governo Federal. Só ganha do Afeganistão nos dois primeiros quesitos e da Bósnia no último. Estes números ajudam a entender a prioridade atribuída a segurança, a falta de transparência do processo eleitoral e ao desarranjo do Estado no momento político brasileiro atual.

A renovação dos quadros políticos tradicionais, manifestada no primeiro turno da eleição de 2018, pode ser compreendida a partir da taxa de desaprovação das lideranças políticas brasileiras de 86%. Não foi apenas a maior desaprovação do planeta no último ano, como também a mais alta da série histórica analisada em mais de 733 casos (número de países vezes anos pesquisados). Ou seja, um recorde nas séries mundiais no curso da presente década. 

Segundo o estudo, os extremos assumidos pelas percepções dos brasileiros captadas numa extensa lista de países, incluindo os mais pobres, sugere situação psicossocial crítica. Por sua vez, a trajetória das séries subjetivas dessa década levou ao estudo das causas objetivas e subjetivas das manifestações de 2013, um dos principais marcos da sociedade brasileira em sua história recente. 

A fim de entender as percepções, as manifestações de rua e a natureza dos desafios à frente, é preciso de uma visão de prazo mais longo sobre os principais avanços e percalços sociais e econômicos brasileiros. Tomando como pano de fundo indicadores objetivos em escala mundial, houve avanços na distribuição de renda, na educação e na expectativa de vida brasileira. Contudo, segundo Neri, “não fomos capazes de avançar em limitadores de performance econômica como a produtividade do trabalho e o equilíbrio fiscal. Tudo se passa como se neste período o social tenha avançado sem fundamentação econômica. Este descompasso seria indicativo da necessidade de reformas estruturais que alinhem os dois lados da equação socioeconômica, e permitam ao fim atender as aspirações brasileiras”.

O estudo completo está disponível no site.