Mudanças climáticas evidencia urgência em ações sustentáveis

Os compromissos climáticos de países e empresas cresceram desde o Acordo de Paris, mas ainda são insuficientes para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Energia
13/06/2024
Guarany Ipê do Sol Osório
Annelise Vendramini

As evidências científicas são cada vez mais robustas, ressaltando a urgência das ações voltadas à sustentabilidade, especialmente no que tange à mudança climática e à biodiversidade. A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre a Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) alerta que um milhão de espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Ao mesmo tempo, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) informa que a temperatura global já subiu aproximadamente 1,2°C, resultando em eventos climáticos mais extremos e frequentes, como tempestades, ondas de calor, secas e incêndios, exacerbando a perda de biodiversidade.

Os compromissos climáticos de países e empresas cresceram desde o Acordo de Paris, mas ainda são insuficientes para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Essa lacuna entre promessas e ações necessárias tem agravado os impactos negativos na vida das pessoas e na economia global, aumentando riscos que enfraquecem o desenvolvimento socioeconômico, resultando em grandes perdas sociais e econômicas.

O IPCC destaca uma janela de oportunidade que está se fechando rapidamente para garantir um futuro habitável e sustentável. Isso requer transições rápidas e de longo alcance em todos os setores e sistemas. Como um dos autores escreveu recentemente para o Valor Econômico, o Brasil tem metas de mitigação de emissões de GEE de 48% em 2025 e 53% até 2030 em relação ao ano de 2005. O País também se comprometeu a atingir a neutralidade climática até 2050. Além de ter que avançar em seu plano de mitigação para atingir essas metas, o País também deverá revisar e avançar no seu planejamento em adaptação à mudança do clima. Para que tudo isso seja concretizado, será necessário a construção dos instrumentos para tanto e o envolvimento de diferentes segmentos da sociedade, incluindo o setor empresarial e financeiro.

Esse cenário afeta a competitividade de países e empresas, exigindo a incorporação de riscos socioambientais nas estratégias organizacionais para promover ações eficazes frente às novas realidades. Um elemento crucial nesse desafio é a canalização de recursos financeiros para projetos corporativos que visem à  mitigação de emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas. Segundo o Climate Policy Initiative (CPI), as finanças climáticas atingiram cerca de US$ 1,3 trilhão em 2021/ 2022, quase o dobro do período anterior [1]. Contudo, esse montante ainda é insuficiente para as demandas de capital necessárias à transição para uma economia de baixo carbono. Aumentar esses recursos, especialmente para países em desenvolvimento, é um tema central nas Conferências das Partes (COPs) sobre Mudanças Climáticas, mobilizando setores públicos e privados.

Há oportunidades para captar recursos financeiros vinculados à agenda climática para empresas com projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. No entanto, esses recursos exigem uma governança diferenciada, com um processo de gestão climática robusto, incluindo gerenciamento de riscos, definição de metas e indicadores, relato e verificação. Profissionais envolvidos na transição para uma economia de baixo carbono precisam entender essas demandas para estarem mais preparados para lidar com os riscos climáticos e avaliar as oportunidades nessa agenda, incluindo a possibilidade de acessar os recursos financeiros que estão sendo mobilizados para financiar estratégias climáticas.

A educação e formação de profissionais preparados para lidar com esse mundo complexo e em transição é fundamental. O Mestrado Profissional em Gestão para a Competitividade, na linha de Sustentabilidade, visa ampliar o conhecimento e as competências de profissionais para lidar com os dilemas da sustentabilidade e conectar esses fundamentos à gestão estratégica dos negócios. Aliado a isso, por meio de experiências imersivas, o curso contribui com a preparação de líderes para serem agentes de mudança rumo ao desenvolvimento sustentável.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Guarany Ipê do Sol Osório

    Doutor em Administração Pública e Governo pela FGV EAESP. Mestre em Direito, na área de Ciências Jurídico-Ambientais, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Coordenador do Programa Política e Economia Ambiental do Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da FGV EAESP e professor da Escola no Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade – Linha Sustentabilidade.

  • Annelise Vendramini

    Coordenadora do Programa de Pesquisa Finanças Sustentáveis no Centro de Estudos em Sustentabilidade associado à FGV EAESP. Possui graduação em Administração de Empresas pela PUC-SP, MBA em Finanças pelo IBMEC, mestrado e doutorado em Administração de Empresas pelo PPGA da FEA/USP.

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