Queda do PIB no segundo trimestre de 2020 é maior do que a perda acumulada da recessão 2014-16

O PIB brasileiro recuou 8,7% no 2º trimestre deste ano, em comparação ao 1º. Além da expressiva queda, que foi disseminada em diversos componentes do PIB, pela primeira vez entramos em recessão sem termos recuperado o que foi perdido na recessão anterior.

Economia
31/08/2020
Juliana Trece
Claudio Considera
Elisa Andrade

A economia brasileira foi atingida pela pandemia de Covid-19 no início do ano e, os resultados até o 2º trimestre mostram um forte recuo do PIB a níveis recordes. De acordo com o Monitor do PIB-FGV, o PIB brasileiro recuou 8,7% no 2º trimestre deste ano, em comparação ao 1º. Além da expressiva queda, que foi disseminada em diversos componentes do PIB, pela primeira vez entramos em recessão sem termos recuperado o que foi perdido na recessão anterior.

O maior nível de atividade já atingido pela economia brasileira foi no 1º trimestre de 2014 e, desde a entrada em recessão no 2º trimestre daquele ano, datada pelo CODACE,[1] não conseguimos retornar aquele patamar de atividade, conforme apresentado no Gráfico 1.

Apesar de termos vivenciado um período de expansão de três anos, entre o 1º trimestre de 2017 e o 4º trimestre de 2019, o ritmo de retomada foi tão lento que não foi capaz de recuperar a perda de 8,1% que ocorreu entre o 2º trimestre de 2014 e o 4º trimestre de 2016. Segundo dados do Monitor do PIB-FGV, no último período expansivo a economia cresceu apenas 4,9%, restando ainda crescer mais 3,8% para retornar ao patamar que detinha no 1º trimestre de 2014, conforme apontado no Gráfico 2.

Com a chegada da pandemia de Covid-19 no país, a situação da economia brasileira ficou ainda mais delicada a partir do início deste ano. No atual ciclo econômico que se iniciou no 1º trimestre de 2020, de acordo com o CODACE, a economia apresentou recuo de 11,0%, de acordo com o Monitor do PIB-FGV. Em apenas dois trimestres a economia retraiu mais que em qualquer período recessivo anterior no país, datado pelo CODACE desde 1980. Na verdade, somente o recuo do PIB no 2º trimestre deste ano (-8,7%) já superou a perda acumulada em todas as recessões. E o mês de abril, sozinho, foi responsável por uma queda[2] da mesma magnitude dos onze trimestres da recessão de 2014-2016 (-8,1%), conforme apontado no Gráfico 3. Com este resultado, o nível do PIB no 2º trimestre deste ano ficou ainda mais distante do que o pico observado no 1º trimestre de 2014. Atualmente o PIB está 14,2% abaixo do que detinha no início de 2014. Para retornar ao nível do 1º trimestre de 2014, ainda falta crescer 16,6%.

Para o segundo semestre do ano, espera-se uma recuperação. Porém, como a queda foi muito forte no primeiro semestre, em especial no segundo trimestre, no ano, o PIB deve recuar 5,5%, segundo a mediana das expectativas de mercado do boletim Focus.

 


[1] Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da FGV.

[2] Taxa em relação ao mês imediatamente anterior.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Juliana Trece

    Economista do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE). Analista responsável pela elaboração mensal do Monitor da Atividade Econômica (Monitor do PIB-FGV e IAE-FGV). Doutoranda em População, Território e Estatísticas Públicas pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE IBGE), Mestre em Economia Empresarial pela EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE) e bacharel em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

  • Claudio Considera

    Coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), sendo um dos autores do Monitor do PIB-FGV e do IAE-FGV. Doutor em Economia (UFF), mestre em Economia (UnB), pós-graduado em Análise Econômica (CENDEC/IPEA) e graduado em Economia (UFF). Foi chefe das Contas Nacionais do IBGE (1986-1992), Diretor do IPEA (1992-1998) e Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (1999-2002).

  • Elisa Andrade

    Mestranda em Economia Empresarial e Finanças (FGV EPGE) e graduada em Economia (UFF). É da equipe do Monitor do PIB-FGV e do IAE-FGV.

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